A sustentabilidade é um tema muito abordado nos dias de hoje, tendo em consideração que estamos a esgotar os recursos da nossa casa, o Planeta Terra. Urge mudar o rumo dos acontecimentos e trabalhar para tentar recuperar um pouco do que já se perdeu.

Mas o que é a sustentabilidade afinal? De tanto falar em certas questões corremos o risco de as banalizar. Usar muito não é usar bem e, por vezes, já nem sabemos do que estamos a falar, mas todos falam e, por isso, é “normal” falar, mesmo sem saber o que é…

Segundo o dicionário da língua portuguesa, sustentabilidade é a “qualidade ou condição do que é sustentável”; um “modelo de sistema que tem condições para se manter ou conservar”.

É aqui que entra o Turismo e nos perguntamos: como é possível manter ou conservar o que quer que seja com centenas e, até mesmo, milhares de pessoas a entrar e a sair de um destino DIARIAMENTE?

É difícil sim, especialmente se as pessoas estiverem pouco alertadas para estas questões, tiverem pouco senso de civismo e forem propensas a julgar mais e a assumir menos o seu papel no mundo em todos os pequenos gestos do dia-a-dia.

Por estas questões e muitas mais, é importante, sim, falar sobre práticas sustentáveis, é urgente, sim, despertar consciências, é fundamental, sim, cada um de nós fazer a diferença, através de pequenos gestos que, no todo, conduzirão a mudanças significativas para os nossos povos e para o nosso planeta.

O que poderemos, então, fazer, ao viajar ou visitar um local, para não interferir com o bem estar dos locais e contribuir, simultaneamente, para o seu desenvolvimento?

Na verdade, se já tem hábitos de sustentabilidade, basta continuar a praticá-los no destino, tendo em consideração as limitações que possam existir. Se, pelo contrário, acha que são os governos e as organizações que têm que se preocupar com estas questões e ainda não se debruçou muito sobre o papel ativo que tem que ter, rumo à preservação do nosso espaço, então é hora de acordar!

Quer para uns, quer para outros, deixo algumas das práticas mais importantes a ter em consideração quando viaja ou visita um local, espero que lhe sejam úteis e que as possa praticar de facto:

1.Respeite as diferenças

Sim, o mundo é uma aldeia global, mas em cada localidade encontramos especificidades. A humanidade não é homogénea em práticas, hábitos, formas de estar, ser e viver e ainda bem. Respeite o facto de haver culturas diversas e não cometa a arrogância de achar que só a forma como faz as coisas é a correta, a mais correta ou a única.

Quando viaja para uma localidade ou país, é importante que faça uma breve pesquisa sobre as práticas culturais da região, de maneira a perceber como funcionam as coisas ali. Desta forma vai sentir-se mais confortável com as possíveis diferenças que possam existir e minimizar o seu impacto.

Tente encarar estas diferenças como uma forma de aprendizagem e de enriquecimento cultural. A capacidade de aprender é das mais úteis que temos enquanto espécie, use-a sabiamente e deixe-se de comentários desagradáveis como “as pessoas aqui são um atraso de vida”; “não há civismo neste país”; “aqui tudo anda a passo de caracol”; “que simpatia esta gente”, “como é que não há um shopping? vivem na pré-história?”, entre muitos outros que já ouvi. Se quer continuar a fazer tudo exatamente como faz no seu dia-a-dia, a escolha é fácil: fique onde está. Se decidiu viajar, seja educado como gosta que sejam os convidados em sua casa!   

2. Fale a língua

Embora o inglês ainda seja considerado a língua universal e nos seja útil na maioria das saídas, tente sempre fazer um esforço por aprender o idioma local, porque este pequeno detalhe cria empatia com os residentes e deixa-os felizes com a sua presença, vão tentar ensiná-lo mais e melhor e passar um momento divertido a fazê-lo. Nesta interação poderão gerar-se oportunidades de conversas e até amizades locais e quem sabe onde isso o levará!

Naturalmente, não vamos tirar um curso intensivo de todas as línguas de todos os países para onde viajamos ou queremos viajar, mas seria simpático e até instrutivo aprender algumas das palavras mais comuns, tipicamente o “obrigado”, o “se faz favor”, o “pequeno-almoço”, o “bom dia”, etc. Procure na internet ou compre um guia turístico, lá encontrará as expressões que tem mesmo que saber.

3. Envolva-se com a comunidade

Cada vez mais o turista procura experiências interativas, onde possa “pôr a mão na massa” e têm muito sucesso exatamente porque, normalmente, são facilitadas por pessoas da região, com produtos autóctones e com práticas tradicionais.

Todos estes elementos proporcionam experiências autênticas, com aprendizagem, com conteúdo, com diversidade, com experiência cultural e isso é enriquecedor para si que visita e, também, para o visitado que se sente orgulhoso por poder partilhar um pouco do seu mundo com quem está tão interessado em aprender.

Por tudo isto e muito mais, envolva-se com a população local, questione, procure, explore!

4. Não suje, vandalize ou denigra

Pode parecer básico, mas há pessoas que simplesmente “se esquecem” da utilidade de um caixote do lixo, ou, na sua ausência, não se sentem na obrigação de guardar o lixo para quando encontrarem um caixote. Triste pensamento…que deve eliminar da sua mente!

Urinar ou cuspir na rua, raspar paredes ou buzinar no trânsito, envolver-se em brigas ou gerar a discórdia são outros exemplos de más práticas que deve evitar quando se encontra noutro país. Bom, isto é de evitar esteja onde estiver, mas em especial quando não está na sua casa! Cuidado, seja civilizado, seja educado.

5.  Seja gentil

Lá porque temos uns trocos para viajar e pagar para nos fazerem a cama noutro país ou região, não quer dizer que as pessoas nos devem obediência. São pessoas, são profissionais, normalmente locais que nos recebem como bons anfitriões e devemos-lhes, no mínimo, respeito.  

Se puder ser gentil e agradecer a cortesia do acolhimento, estará a promover o entendimento da importância do turismo para as comunidades locais e a potenciar o desenvolvimento desta indústria que é, em muitos casos, a que permite a sobrevivência de algumas regiões.

Não foram gentis consigo e é você que lhes põe comer na mesa? Que injustiça! E que tal ser diferente e ser você a começar o movimento desta vez? Seja gentil, contrarie a tendência inicial e vai ver que vai conseguir reverter a situação e sabe como sei isto? Simples: comportamento gera comportamento!

6. Não regateie, seja justo

Regatear os preços é cada vez mais comum, especialmente em alguns países, onde a prática é, até, cultural. É mais frequente acontecer em mercados de rua ou feiras, mas é importante que analise a situação.

Se o valor lhe parece abusivo, naturalmente terá que dar uma palavrinha ao vendedor, pois sabemos que há pessoas que se aproveitam um pouco dos turistas, no entanto o contrário também não deixa de ser verdade e, neste caso, pondere bem sobre o valor do produto/ serviço e pague o que lhe parece adequado, tendo em consideração questões como o nível de vida, os recursos disponíveis no local, as suas possibilidades financeiras, entre outras que lhe pareçam adequadas à situação.

7. Não alimente más práticas

Esta é uma questão delicada. Lembro-me do relato de uma amiga, quando visitou um dos países de África, que dizia, emocionada, que o país era lindo, mas esperava não voltar lá porque a mendicidade por parte das crianças, os braços estendidos a pedir esmolas, as súplicas, lhe tinham cortado o coração.De toda a experiência isto foi o que lhe ficou e é uma pena, especialmente porque, embora, por vezes, espelhe a realidade financeira do país, nem sempre isto é, necessariamente, verdade. Infelizmente há pessoas que se aproveitam da inocência das crianças e as exploram para ganhar dinheiro. Pedir esmola é um trabalho e, no final do dia, entregam o que angariaram a um explorador maléfico. Surreal? Não, pura realidade!

Assim sendo, dar esmola não é uma boa ideia. Sim, eu sei que custa, mas há milhares de outras formas de ajudar aquelas e outras crianças, povos inteiros. Investigue sobre isso, aja e lembre-se que dar esmolas é alimentar uma indústria do mal e que em nada contribui para a melhoria de vida dos locais, crianças ou adultos.

Além disso, tente sempre saber de onde vêm os produtos que adquire no local e como foram produzidos, de modo a não contribuir com o trabalho infantil ou práticas de escravatura.

Por último, se se quiser divertir tome as devidas medidas de segurança e evite práticas de pedofilia ou prostituição. É um assunto delicado, eu sei, mas tem que ser falado porque existe, tem procura e está em desenvolvimento. Não é por não estar no seu país que vale tudo! Respeite, seja íntegro e honesto, veja o ser humano que está do outro lado e as consequências das suas ações.   

8.      Respeite a natureza

Seja num safari, numa visita a um zoo, ou a nadar com golfinhos, garanta que faz estas actividades com empresas que sabem o que estão a fazer e que preservam, acima de tudo, o bem-estar dos animais e das plantas, caso contrário, não alimente este tipo de atividades! Sabia que este planeta foi-nos cedido por eles? Claro que sabe! Os animais e as plantas são muito, mas muito anteriores à humanidade, mas raramente nos lembramos disso, raramente respeitamos isso. Que gentis que eles foram e que ingratos nos mostrámos!

Reverta a situação sempre e quando lhe for possível, por mais pequena que possa parecer a acção!

Neste item alerto, ainda, para a forma como se vai relacionar com a água. De um modo geral, ela é um bem escasso em todo o mundo, mas há países onde as pessoas morrem à sede ou na sequência de doenças relacionadas com a falta de água potável. Normalmente, os poucos recursos que têm são disponibilizados aos turistas e, por isso, faça um consumo racional e consciente da água, quer para consumir, quer para usar em piscinas por exemplo. Sabia que há cidades onde a pouca água doce potável que têm serve exatamente para encher as piscinas dos hotéis? É verdade! Deve privilegiar piscinas de água salgada ou as praias naturais.

9. Prefira o comércio local e tradicional

Preferir produtos que foram produzidos no local, ou, pelo menos, no país onde se encontra, permite o desenvolvimento e a valorização dos produtos e da economia local. Basta pensar um pouco ao contrário: se tivesse que aconselhar um turista ou estrangeiro acerca de um local para almoçar em Portugal indicar-lhe-ia a Tasca da Ti Maria, onde podia comer um belo bacalhau à brás ou o MacDonalds da esquina? Nada contra o MacDonalds, atenção, mas, para um turista ou estrangeiro, o ideal é que conheça as iguarias locais e ajude a Ti Maria a pagar as contas, porque para comer no MacDonals não precisa vir a Portugal!

 10. Divulgue e/ ou sugira

A melhor forma de promover na indústria do turismo é, indiscutivelmente, o passa-palavra. Assim, se gostou da forma como foi acolhido no destino visitado, se desfrutou de maravilhas, se viu coisas lindas conte ao mundo sobre isso!

Se, pelo contrário, a sua experiência não foi a melhor, tente aprender o máximo sobre isso, mudar o que estiver ao seu alcance e informar os responsáveis acerca das suas sugestões e alternativas de melhoria.

Seja em que caso for, tenha um papel participativo!

E você, já tinha ouvido falar na sustentabilidade associada ao turismo?

Costuma ter estas práticas em consideração? Tem outras que queira partilhar?

Conte-me tudo, vou gostar de saber!

—– Artigo originalmente publicado no Linkedin. —–

Partilhar é cuidar!

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