Há pessoas que, ao viajar, gostam de fazer, apenas, as reservas do transporte e partir à aventura. Pesquisam um pouco sobre o destino e questões a ter em consideração para a viagem e seguem em frente. No local, são muito práticas, pouco exigentes e adaptam-se às possibilidades. Embora esta possa ser uma experiência interessante, não é para todos!

A maioria das pessoas gosta de viajar com a segurança de ter as reservas todas efectuadas e um plano minimamente traçado, para que tudo corra da melhor forma possível, sabendo que, ainda assim, poderão sempre existir desvios e imprevistos de última hora.

De forma a ajudá-lo a estruturar a planificação da sua viagem, organizei alguns temas importantes a ter em consideração. Espero que lhe possam ser úteis:

  1. Decida se vale mesmo a pena ser você a organizar a viagem

Pode parecer uma dica desmoralizante porque, afinal de contas, queria ser você a organizar esta viagem, mas a verdade é que esta tarefa exige tempo, disponibilidade e alguma paciência. Se decidir ir a uma agência de viagens o profissional irá:

  • Apresentar as melhores soluções, de acordo com as suas preferências;
  • Expor mais do que uma opção, para poder escolher;
  • Informá-lo sobre todas as questões a ter em consideração no local;
  • Explicar-lhe todos os procedimentos acerca da sua viagem;
  • Tratar de toda a burocracia;
  • Estar disponível para ajudá-lo a resolver qualquer questão que possa surgir antes, durante e depois da viagem.

É claro que as viagens organizadas são, por norma, mais caras do que os serviços adquiridos individualmente, porque, neste caso, naturalmente, o trabalho do agente de viagens terá que ser pago, no entanto, se pensar no tempo e nas preocupações que lhe poupa, além da tranquilidade que este profissional lhe traz, concordará que é, sem dúvida, um óptimo investimento. 

Se achou esta dica convincente, então pode parar de ler este artigo. Dirija-se à agência de viagens mais próxima, ou peça orçamento on-line e boa viagem!

Se, pelo contrário, continua a achar que pode, deve ou gosta de ser você mesmo a organizar as suas próprias viagens, então siga as restantes dicas:

2. Decida com quem vai viajar

Nesta fase deve perceber se o que precisa é fazer uma viagem sozinho ou acompanhado. Independentemente de ter família própria, todos nós precisamos, por vezes, de alguns momentos só para nós, por isso, se a tem, discuta esta questão com ela e tome a sua decisão. Se não tem família própria, mas não quer viajar sozinho, ou tem família, mas a companhia ideal, neste momento, é outra, então, convide-a e organize-se com essa(s) pessoa(s). Bom, se, finalmente, vai viajar sozinho, então as decisões tornam-se mais fáceis, porque só dependem de si.

3. Defina um orçamento

Qual o valor que tem disponível para esta viagem? Nesta resposta deverá ter já em consideração todos os custos. O maior erro das pessoas, quando pensam no dinheiro que têm disponível para gastar numa viagem, é que, normalmente, se esquecem dos gastos no local, nomeadamente a alimentação, os souvenirs, a deslocação na localidade, as visitas a monumentos, as excursões locais, etc.

Assim, apresente-se um valor, tendo em consideração que é o valor máximo que tem disponível para a totalidade dos produtos e serviços a adquirir/ a usufruir. Tenha sempre este valor em mente aquando da aquisição de cada um deles.

Importa referir que deve ser o mais realista possível, ou seja, se não tem o mínimo de noção dos valores das viagens ou do nível de vida do local para onde vai viajar, deve fazer uma breve pesquisa, pois de nada vale definir o valor de 200€ para passar uma semana em Londres, num hotel 4*, com os outros quatro elementos da sua família, por exemplo!

É importante definir o orçamento numa fase inicial do planeamento, pois vai condicionar todas as decisões daqui para a frente. De qualquer das formas, também poderá fazer umas pesquisas primeiro e depois decidir se essas viagens estão dentro do valor que estabeleceu, no entanto esta acção inversa irá fazê-lo perder mais tempo.

4. Defina as datas de início e fim

Quantos dias quer usar nesta viagem e exactamente as datas de partida e chegada são questões importantes a definir. Não obstante, por vezes, os valores apresentados quer para as viagens de avião ou comboio, quer para o alojamento, variam muito apenas com um dia de diferença e, por isso, será vantajoso ter alguma flexibilidade neste campo, ou seja, em vez de decidir já as datas em concreto, estabeleça antes um período para a viagem. Quando fizer a simulação das reservas, já conseguirá analisar o preço, consoante as datas, de forma mais objetiva.

Esta questão é especialmente importante quando viaja com crianças em período escolar, pois deve garantir que não faltam aos seus compromissos. Sabemos que, por norma, as épocas de interrupções letivas são mais caras, mas, neste caso tem duas soluções:

  • Reserva com bastante antecedência para garantir valores mais apetecíveis;
  • Não reserva e arrisca até ao fim, de modo a conseguir uma boa promoção de “última hora”.

5. Decida o destino

Esta é uma questão que pode já estar decidida na sua mente, ou que pode ser decidida só depois de pensar sobre o orçamento. Se pretende fazer uma viagem a determinado local e tem o dinheiro necessário para a fazer, a decisão torna-se mais simples, no entanto, se, dependendo do valor que tem para gastar, tiver que escolher um local para visitar, então já implica alguma pesquisa e simulações. Haja de acordo com a sua situação e lembre-se que, se estiver condicionado pelo orçamento, viajar dentro do seu próprio país é, em alguns casos, menos dispendioso e muito gratificante.

O importante é explorar, conhecer e cultivar memórias, experiências.

6. Decida o meio de transporte

A escolha do meio de transporte a usar numa viagem não é tão linear quanto muitas pessoas pensam. Ela está relacionada com o orçamento, a distância, o conforto, o tempo de viagem, a segurança, o objectivo da viagem, a companhia que terá e até, eventualmente, com alguma fobia que o viajante possa ter. Assim, se o que pretende é uma viagem exploratória poderá fazer sentido ir de comboio, mas, se pretende uma viagem revitalizadora, provavelmente, o avião ou o navio serão melhores opções. Terá que ponderar os factores que são mais importantes para si e decidir.

7. Decida o tipo de alojamento

Para decidir o tipo de alojamento onde vai pernoitar, mais uma vez, vai ter que pensar no valor que tem para gastar e no que pretende retirar desta viagem. Hoje em dia, desde o parque de campismo ao hotel 5*, existem opções para todas as preferências, pelo que basta pesquisar um pouco.

Quando escolher o alojamento, tenha em consideração que as categorias dos estabelecimentos hoteleiros não são universais ao mundo inteiro, portanto se reservar um hotel 4* poderá encontrar o que, para nós, em Portugal, seria um hotel com uma categoria inferior, por exemplo.

Outra questão a ter em atenção, aquando da escolha do alojamento, é a localização. Se não vai alugar carro, poderá ser útil ficar no centro da cidade, de modo a ter os transportes públicos mais perto. Se um alojamento mais central é demasiado caro, mas tem que alugar carro para se deslocar, pondere bem se este é um gasto que lhe compensa o investimento, ou se mais vale o conforto de estar no centro.

De realçar que, caso tenha amigos ou familiares a viver no destino e estes tenham condições de alojá-lo, poderá sempre avaliar a possibilidade de ficar com eles. Esta é, aliás, uma óptima forma e motivação para viajar.

8. Defina o tipo de atividades a realizar no destino

Todos conhecem a expressão: “ir a X sítio e não visitar/ fazer $#%& é a mesma coisa que ir a Roma e não ver o Papa!

Isto quer dizer que, dependendo do destino escolhido, há sempre algo que o caracteriza e, por isso, tem em mente fazê-lo, no entanto, quanto mais detalhado for nas actividades que pretende realizar, mais probabilidades tem de aproveitar melhor o tempo e fazer mais coisas.

De qualquer das formas, se não gosta de se sentir pressionado, especialmente quando está de férias, faça pelo menos uma breve pesquisa para perceber o que pode fazer/ visitar e onde se poderá dirigir localmente caso pretenda realmente avançar com alguma dessas atividades.

9. Faça as reservas – do transporte, do alojamento, das atividades/ visitas

Agora que já sabe com quem vai viajar, quanto pode gastar, quando vai, para onde vai, onde se vai hospedar e que tipo de actividades vai realizar, então é hora de fazer as reservas!

Para reservar, poderá usar alguns motores de busca muito conhecidos atualmente, tais como “Momondo”, “Logitravel”, “Jetcost”, “Edreams”, “Tripadvisor” ou “Booking”. Alguns já fazem a comparação entre as diversas opções e apresentam-lhe os melhores preços.

Quando fizer as reservas deverá ter em atenção pormenores que fazem toda a diferença, tais como:

  • O tamanho, a quantidade e o peso da bagagem que pretende levar versus o que é permitido, consoante o transporte que vai utilizar;
  • Se está a incluir ou não os seguros de viagem e o que estes asseguram;
  • Se a sua reserva é reembolsável em caso de desistência e em que condições;
  • Deve garantir que tem as confirmações de todas as reservas e que estas lhe estão acessíveis na viagem.

10. Informe-se acerca da documentação

É muito comum as pessoas ficarem “penduradas” no aeroporto porque não trataram do visto, não têm passaporte e etc. Quando viaja é preciso estudar bem o destino e perceber de que tipo de documentação vai precisar.

Se viajar para fora da União Europeia, para um país que não pertence ao espaço Schengen(Bulgária, Chipre, Croácia, Irlanda, Reino Unido ou Roménia), é obrigatório apresentar o passaporte ou um bilhete de identidade/cartão de cidadão válido.

Se, por sua vez, viaja para países terceiros, é obrigatório ter passaporte válido e, dependendo do destino ou do tempo de estadia, pode ser obrigatório ter um visto.

Para saber com maior precisão quais os documentos necessários, o ideal é contactar o Consulado ou a Embaixada do país de destino e confirmar esta informação. Caso seja necessário tratar de algum destes documentos, aqui também lhe vão explicar os procedimentos a seguir. 

11. Investigue sobre o destino

Bem sei que para chegar até aqui já fez alguma pesquisa e já está mais ou menos ciente do que vai encontrar, mas será útil pesquisar um pouco mais acerca de temas como “gastronomia”, “tradições”, “hábitos”, “cultura”, “língua(s)”, “moeda”, “condições meteorológicas”, entre outros.

Desta forma estará mais ambientado, qualquer diferença será melhor aceite e poderá, até, integrar-se na comunidade, de modo a praticar hábitos de turismo sustentável.

Hoje em dia, quando pensamos em pesquisar, é a internet que nos vem à mente, mas os guias turísticos em formato “livro” continuam a ser excelentes opções. Lá tem a informação já compilada e encontra exactamente aquilo que precisa para o auxiliar antes e durante a sua viagem. Considere esta opção, há guias muito bons à venda em livrarias e não só.

Bom, grosso modo, já tem a sua viagem programada. Agora só tem que fazer as malas, estar no local certo à hora certa e desfrutar da sua viagem!

Achou estas dicas úteis?

Tem outras práticas que costuma realizar?

Conte-me tudo, vou gostar de saber!

—– Artigo originalmente publicado no Linkedin. —–

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