Um dos testemunhos que mais ouço por parte dos meus alunos e colegas recém-formados em Turismo, é que a faculdade de pouco lhes serviu. Os cursos são, no seu entender, muito teóricos, não os prepara para o mercado de trabalho, não lhes ensina o que realmente precisam de aprender e fica muito a faltar.

Em boa verdade, eu própria já senti o mesmo. Com o passar dos anos, a experiência de estudo, de trabalho e de vida vieram mostrar-me o que se passa realmente. Vou partilhar consigo, de seguida, alguns aspetos fundamentais para que perceba que esta análise está algo desfasada da realidade:

  1. A faculdade não forma profissionais, forma pensadores! E o que é que isto quer dizer exatamente? Bom, quem opta por seguir a via do ensino superior, precisa perceber que aqui vai aprender as principais teorias sobre a área de atuação que decidiu estudar; vai ter que superar-se a todo o momento, porque a exigência, em termos quantitativos e qualitativos, do ensino superior é elevada; mais do que adquirir conhecimentos, vai adquirir competências e, essas sim, vão ser o elemento diferenciador no mercado de trabalho;
  2. Por mais que os professores e as escolas se esforcem por transmitir os conteúdos de forma prática, é impossível igualar o mercado de trabalho; aproveite essas oportunidades para dar o seu melhor, ser inovador e destacar-se pelo empenho e dedicação; todo esse esforço vai ser muito menor em contexto real depois de passar por essas experiências, embora nem sempre o consiga perceber;
  3. A teoria é fundamental e jamais poderá fugir dela se quer ser um profissional de excelência; compreendo a frustração de quem pretende estudar Turismo, uma área tão operacional, se deparar com tanta teoria; é preciso informar-se e refletir bem sobre o que quer, que tipo de funções poderá vir a assumir e o que terá que aprender para as desempenhar, de modo a gerir as suas expectativas; já ouvi coisas do género: “escolhi Turismo porque nunca gostei de estudar e isto sempre é mais fácil”! Socorro! O Turismo é muito mais do que se pensa e a teoria é importante, sim; mesmo os cursos profissionalizantes, que têm aulas laboratoriais, como Cozinha ou Pastelaria, por exemplo, têm muita teoria e bastante exigente, diga-se;   
  4. Estudar no ensino superior não é obrigatório, é uma opção; vivemos numa época em que o ensino superior é muito mais acessível do que há alguns anos atrás; muitos mais pensam em seguir estudos desta forma, mas existem muitas outras opções no mercado e na vida; não está escrito em lado nenhum que é obrigatório estudar numa faculdade, por isso se essa não é a sua vontade, não o faça; mesmo que se arrependa dessa decisão, está sempre a tempo de voltar se realmente quiser; muitos alunos meus dizem-me: “decidi vir para este curso porque ouvi muitas opiniões e incentivaram-me nesse sentido, é importante ouvir as opiniões dos outros”; não, não é; isto é meio caminho andado para criarmos ilusões, nos frustrarmos e desiludirmos; o que é realmente importante é ouvir-se a si próprio, confiar no seu discernimento, lidar com as consequências das suas decisões e permitir-se errar, é assim que crescemos;  
  5. Nunca é tarde ou cedo demais para mudar! Para quem não sabe muito bem o que pretende fazer em termos profissionais, os cursos de Turismo são excelentes opções, porque são multidisciplinares; vai aprender muito sobre disciplinas variadas e em alguma delas poderá perceber o que realmente o encanta; nessa altura será a hora de se redirecionar e está tudo bem; só não se obrigue a manter-se por cá se isso não o faz feliz; pode sempre mudar ao longo do seu percurso profissional, sempre; 
  6. O mercado de trabalho é a verdadeira escola; embora, por questões diversas, como as culturais, por exemplo, o mercado de trabalho não esteja desperto para esta assunto, é sua responsabilidade, sim, formar os jovens quadros; perceba: ninguém espera que saia da faculdade e vá para uma empresa desempenhar as suas funções com o rigor de quem o faz há 20 anos! Aquilo que uma empresa de valor vai esperar é empenho, dedicação, capacidade de aprendizagem, criatividade, espírito crítico e evolução; como vê, nada disto é conhecimento técnico; está lá é para aprender e isso leva o seu tempo, é normal; muitas empresas não adotam esta postura e aí é o momento de gerir a relação, mais uma coisa que aprendeu a fazer na faculdade, com a insistência dos professores nos trabalhos de grupo, por exemplo; mais uma vez, nada de conhecimento técnico, mas competências que a faculdade lhe trouxe; se não correr bem, mesmo dando o seu melhor para gerir a relação, é tempo de tomar decisões e ficar e ser infeliz ou seguir em frente, recomeçando com a garra e a resiliência que lhe são tão familiares do tempo de quê? Muito bem, da faculdade!
  7. Penso não estar engada ao afirmar que toda a oferta formativa nacional, de média e longa duração em Turismo, integra, pelo menos, um momento de formação em contexto de trabalho; os estágios são super importantes e devem ser encarados, desde logo, com a seriedade necessária; é verdade que quem ainda não tem experiências práticas no mercado de trabalho, precisa experimentar para perceber a realidade, mas deve fazer uma escolha o mais consciente possível; analise os seus gostos pessoais, explore as diversas opções da atividade turística em termos de funções a desempenhar, reconheça as disciplinas com que mais se identificou e arrisque por aí; vá ajustando as suas escolhas até encontrar o que lhe faz brilhar os olhos;  
  8. A carreira e o profissional não se fazem, vão-se fazendo; perceba que é um percurso para a vida; é completamente utópico achar que vai fazer um curso e fica formado para sempre; pode até não querer continuar a estudar e essa é uma opção válida, mas se se quer destacar no mercado de trabalho, ter a força, a coragem e a resiliência para marcar pela diferença, seja de que forma for enquanto profissional, precisará sempre de ir beber mais conhecimento, especialmente em Turismo, uma área tão vasta e exigente;
  9. Gira as suas expectativas: todos os pontos indicados anteriormente têm a ver com isto; baseie-se nos factos, tente conhecer pessoas que estão direta ou indiretamente relacionadas com o trade e ouça-os; analise os aspetos positivos e negativos relatados e lembre-se que não existem áreas de atuação perfeitas; estar preparado para encarar as dificuldades como desafios é uma máxima de qualquer profissional apaixonado pelo Turismo;
  10. Faça-se estas 10 perguntas antes de tomar uma decisão e perceba melhor aqui o que significa ser um Profissional de Turismo.

E você, o que acha deste assunto?

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