Quando pensa em viajar e visitar determinados locais pensa em fazê-lo sozinho ou com a ajuda de um profissional qualificado para o fazer? Bem sei que hoje em dia a informação está muito acessível a todos e torna-se muito simples conhecer o mundo pelos seus próprios dedos, mas será que vai conhecê-lo intrinsecamente? Será que vai saber as melhores curiosidades sobre o local, será que vai fazê-lo de forma divertida e segura? Pode sempre arriscar ou pode ir na companhia de um Guia Intérprete Oficial. O Guia é aquele profissional que sabe absolutamente T-U-D-O o que lhe possa perguntar! Versátil, corajoso e multifacetado, garante que a sua visita é melhor do que esperava, leva-o aos locais mais interessantes e está disponível para resolver qualquer situação que possa surgir ao longo do seu tour.  

Hoje dou-vos a conhecer uma dessas pessoas. Ela é a Alexandra Lavaredas, estudou Turismo no Instituto de Novas Profissões, em Lisboa e já desempenhou várias funções dentro da área do Turismo. Continuou a fortalecer o seu percurso académico e conta também com várias experiências nacionais e internacionais. Atualmente dá a conhecer o nosso maravilhoso país a quem o quiser explorar na sua companhia.

Fui saber um pouco mais sobre estas funções, esta profissional e o seu percurso:

CR – Sei que a escolha do teu percurso académico não foi imediata. Porque optaste por Turismo? Conta-nos um pouco sobre o teu percurso desde a escolha do curso até aos dias de hoje.

AL – O turismo foi descoberto por acaso. O que eu gostava e percebia de turismo, na altura de escolher, é que adorava viajar e contactar com realidades diferentes. Percebi mais tarde que, em geral, também tinha facilidade em relacionar-me com as pessoas. Logo, qual a melhor área para trabalhar? Tive a sorte de ter tido várias experiências gratificantes que foram moldando a profissional que sou hoje.

CR – O mercado das visitas guiadas liberalizou-se muito nos últimos anos no nosso país. Como caracterizas, atualmente, este setor em Portugal?

AL – Verdade, o mercado liberalizou-se e deu acesso a muitos profissionais de outras áreas do saber que encontram na indústria turística uma alternativa à falta de emprego. Existe, no imaginário coletivo, a ideia de que de turismo todos percebem. Em simultâneo, para um país onde esta indústria tem tanto peso na economia, é lamentável assistirmos a uma passividade por parte dos legisladores. A formação é sim importante e o guia intérprete, quando desempenha corretamente a sua função, é um verdadeiro embaixador cultural do seu país. Tem o poder de fazer o cliente apaixonar-se por Portugal e criar nele o desejo de voltar. 

CR – Como é o dia-a-dia de um Guia Intérprete Oficial? 

AL– O dia a dia de um guia intérprete oficial é muito intenso, exigente e sempre diferente. É fundamental inteirar-me antecipadamente do programa; rever informação necessária; reconfirmar reservas e horários previstos; estar alinhada com o motorista e outros colegas que participem do tour; estar sempre atenta às necessidades,  expectativas e conforto do grupo; cumprir sempre os programas estipulados;  ter sempre em atenção as pausas para idas à casa de banho a cada 2h, sensivelmente;  procurar ter o grupo sempre junto, de forma a posicioná-lo nos pontos mais interessantes, sem prejudicar os demais turistas/visitantes e, muito importante, organizar o tempo das visitas, doseando bem a quantidade e qualidade da informação prestada, procurando sempre ir de encontro ao perfil de cada grupo; nunca devemos esquecer que todo o cliente precisa de algum tempo livre (eu opto, sempre que possível, por fazê-lo no final das visitas mais “pesadas”); agradecer em meu nome  e do motorista e, eventualmente, dar recomendações para atividades que possam ser feitas a título individual; confirmar que nenhum cliente deixou pertences pessoais no autocarro. Depois disto, é regressar a casa, descansar e preparar o dia seguinte. 

CR – Quais as principais características pessoais e profissionais que um Guia deve possuir?

AL – Deve ter uma boa capacidade de comunicação, saber explicar, mas também ouvir; empatia, organização e gestão de grupos. Para além de conhecimento sobre várias áreas do saber, o guia intérprete será um melhor profissional se for uma pessoa humana com gosto pelo que faz.

CR – Há algum truque ou dica que possas partilhar connosco em relação à memorização da informação que transmites aos turistas?

AL – O truque é estudar, estudar, estudar e praticar, praticar, praticar. 

CR – O que mais te atrai na possibilidade de dar a conhecer o teu país aos outros?

AL – O que me atrai é a possibilidade de mostrar um país tão rico e diversificado e fazer os meus clientes apaixonarem-se por Portugal. 

CR – Quais as grandes vantagens e desvantagens da profissão de Guia Intérprete Oficial?

AL – Para mim, as principais desvantagens são a falta de estabilidade profissional e passar muito tempo fora de casa. Entre as vantagens está o fazer sempre algo diferente, permitir aos turistas terem uma experiência incrível, gerir a minha própria agenda e poder fazer férias de um mês ou mais. A remuneração também é interessante.

CR – Qual o teu monumento preferido em Portugal e porquê?

Não tenho um monumento preferido. Gosto muito de fazer visita ao Museu da Marinha ou ao Padrão dos Descobrimentos pelo fato de poder partilhar com os clientes a importância que o nosso povo teve na descoberta de novos mundos. Gosto especialmente de guiar no Mosteiro da Batalha, no Palácio de Queluz e na cidade do Porto, por serem locais que acho lindíssimos e extremamente ricos do ponto de vista da interculturalidade.

CR – Apesar de hoje atuares como Guia, a verdade é que já adotaste várias profissões do mundo do Turismo. Pretendes parar por aqui, consideras ter encontrado a tua grande paixão, ou há algo mais que pretendas explorar?

AL – Quero continuar ligada ao mundo das viagens e à divulgação do meu país. Não me vejo a deixar completamente a profissão de guia intérprete, mas tenho outros projetos em desenvolvimento.

CR – Das diversas funções que já desempenhaste, qual a que mais te preencheu enquanto profissional e porquê? 

AL – O que mais me preenche é a interpretação cultural e a docência/investigação. Gosto muito de aprender, partilhar informação e ver pessoas felizes porque desenvolvem novas capacidades ou porque as suas expectativas foram superadas.

Muito obrigada, Alexandra, pela tua colaboração nesta entrevista e pela dedicação diária à tua profissão. És sublime!

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Se é um profissional de turismo e gostaria de ser entrevistado no âmbito da rubrica “Os Incógnitos do Turismo de Portugal” entre em contacto comigo, vou gostar de o conhecer!

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