Nos últimos anos temos assistido a mudanças reais em praticamente todas as áreas de atuação, bem como nas mentalidades e nas próprias pessoas. A indústria das viagens não é exceção e, cada vez mais, o mundo é uma aldeia global. Mesmo longe, estamos mais perto e as grandes fronteiras com que nos deparamos são, apenas, as mentais.

Ainda assim, nem sempre as pessoas viajam tanto como poderiam, inventam todo o tipo de desculpas e não desfrutam de toda esta acessibilidade dos dias de hoje! Sim, eu sei que é complicado admitir, mas os seus argumentos, ainda que válidos, são só desculpas.

Desmistificarei algumas de seguida, acompanhe-me:

  1. Não tenho dinheiro

Algumas pessoas têm um orçamento mesmo muito limitado, eu compreendo, mas a liberalização da industria das viagens veio trazer preços muito acessíveis, tanto é que, em alguns casos, chega a ser mais barato viajar para fora, do que dentro do nosso próprio país. Poderá experimentar as seguintes dicas:

  • Encontre uma lata velha, um tupperware ou um porquinho mealheiro e coloque lá dentro 1€ todos os dias; por mais que lhe custe, esqueça que esta poupança existe e não lhe mexa, a menos que se trate de uma situação de vida ou de morte; ao fim de um ano terá sensivelmente 365€ para viajar e, acredite, é muito dinheiro!
  • Organize-se e planeie muito bem a sua viagem; desta forma evitará gastos desnecessários e poderá usufruir mais e melhor do seu orçamento;
  • Baseie-se em opções low cost, mas pesquise e informe-se bem sobre elas para evitar dissabores! Lembre-se que, às vezes, o barato sai caro!
  • Motores de busca como “Momondo”, “Logitravel”, “Jetcost”, “Edreams”, “Tripadvisor” ou “Booking” poderão ser úteis na hora de comparar as opções mais baratas e mais adequadas ao que pretende;
  • Já conhece o conceito de couchsurfing? Poderá ser uma boa opção. Veja aqui do que se trata e como pode ficar a saber mais sobre o assunto.

2. Não tenho tempo

Já aqui abordei esta questão e volto a alertar: o tempo é universal, todos no mundo inteiro têm exatamente 24h num dia. O que difere é a forma como o utilizam e a forma como o utilizam está relacionada com as prioridades de cada um. Poderá até dizer que, neste momento, a sua prioridade não é viajar, está focado noutro assunto como a família ou o trabalho e está tudo bem, mas não diga que não tem tempo para viajar porque isso não faz sentido!

Para ultrapassar esta questão, mesmo num momento de maior foco noutro assunto, poderá substituir as viagens mais longas por pequenos passeios sozinho ou em família. Pode ser uma caminhada na praia ou uma visita ao jardim zoológico, por exemplo. O importante é desfrutar do seu tempo com atividades de lazer e que lhe permitam construir memórias. Desta forma, o hábito não esmorece e, assim que lhe for possível, poderá organizar uma atividade de maior duração com mais facilidade.

3. Não falo a língua

Primeiro que tudo, lembre-se que esta questão só se coloca se estivermos a falar de viagens para outros países e, para viajar, não precisa, necessariamente, de sair do seu país. Se é de uma viagem internacional que estamos a falar, então é, de facto, complicado comunicar com nativos quando não se fala a língua de um determinado país, no entanto tem as seguintes soluções:

  • Convide aquele amigo ou familiar que tem facilidade em línguas para ir consigo e aproveita também para desfrutar da sua companhia;
  • Investigue um pouco sobre o destino, pois, em alguns países fala-se mais do que um idioma e pode ser que não se ajeite na língua principal, mas que consiga dizer algumas palavras na outra;
  • Compre um guia turístico sobre o destino e vá analisando os locais a visitar, as expressões idiomáticas e algumas palavras/ frases chave, pois poderá ser o suficiente para comunicar o principal;
  • Lembre-se que a língua universal é a gestual e, por isso, mesmo não sabendo falar uma língua, se tiver destreza para a mímica e uma pitada de audácia, conseguirá chegar a bom porto.

4. Tenho medo de andar de avião

Ui, com esta identifico-me bastante. Não é bem um medo, é um medinho, uma ansiedadezita…e confesso que, apesar de não permitir que este receio me trave, se tiver que viajar de avião por mais de três horas, tenho que pensar bem sobre o assunto. Mas, para mim e para quem tem mesmo fobia, existem algumas alternativas, nomeadamente:

  • Vá noutro meio de transporte; por exemplo, sei que se um dia visitar o Brasil será num cruzeiro que, eventualmente, poderei vir a fazer, já aceitei isso e está tudo bem!
  • Faça terapia, invista em si e não permita que os seus medos o impeçam de fazer coisas das quais realmente gosta!

5. Gosto de dormir na minha cama

Sempre tive muitas dificuldades com o sono e, quanto mais o tempo passa, mais apego sinto à minha cama, por isso sei bem o que é pensar que não vamos dormir o nosso ninho, mas, avalie bem a questão, estamos a falar de uma situação temporária, será que não vale a pena o “sacrifício”? Vá lá, isto é só uma desculpa, saia da sua zona de conforto e desfrute do novo e do belo, é lá que a vida acontece!

6. Não tenho companhia

A sério? Precisa de companhia para viajar? Não digo para se colocar numa situação de perigo, atenção! Há, de facto, alguns destinos para onde não deve viajar sem companhia, mas, grosso modo, a maior parte dos países, especialmente da Europa, são seguros e pode explorá-los sozinho.

Mais uma vez: saia da sua zona de conforto, faça algo que nunca experimentou e junte, a essa experiência, uma série de primeiras vezes para partilhar com amigos e familiares, guardar na sua memória e recordar quando quiser, vai ver que vai crescer e ganhar muito.

Embora seja necessário saber desfrutar da sua própria companhia, é importante que comunique sempre a sua saída a algum familiar ou amigo e que lhe vá dando notícias. Não vai querer que lhe aconteça uma situação semelhante à relatada no filme, baseado em factos verídicos, “127 horas”. E não, não estou a ser melodramática ou negativa, acidentes acontecem e é importante prevenir!

7. Não tenho paciência para organizar uma viagem

Há cerca de 15 anos atrás, quando comecei a estudar turismo, já se falava na extinção da profissão de Agente de Viagens, por causa do desenvolvimento das novas tecnologias e da crescente autonomia do turista, mas, sabe que mais? Eles não só não desapareceram, como são excelentes profissionais, que existem exclusivamente para lhe dar tudo aquilo que pretende e, até, algo mais.

Se não tem paciência para organizar uma viagem, dirija-se a uma agência de viagens, diga o que pretende e o agente irá fazer absolutamente tudo por si, só tem mesmo que estar nos locais certos às horas certas e desfrutar da sua viagem, voilá!

8. Não tenho com quem deixar os animais

É uma questão sensível e à qual faz muito bem em dar atenção, os animais fazem parte da nossa família e devem sempre ser uma prioridade, no entanto não considero que seja impedimento para viajar. Verifique as seguintes soluções:

  • Peça a um amigo ou familiar para ficar com os seus bichinhos, com certeza não se importarão, já que se trata de uma situação temporária;
  • Se os seus familiares ou amigos não puderem ou não quiserem ficar com os seus animais, entregue-lhes a chave da sua casa e peça-lhes para os irem visitar uma ou duas vezes por dia, tratando deles;
  • Hoje em dia, muitas são as opções ao nível de empresas de pet sitting, pelo que poderá investigar quais as melhores alternativas para os seus animais enquanto estiver fora;
  • Os hotéis para animais também poderão ser uma opção a ponderar, já que há cada vez mais e com mais qualidade.

9. Dou-me sempre mal com a comida

Compreendo, mas não é por isso que vai deixar de viajar. Há pessoas que têm gostos alimentares muito peculiares e, por isso, a gestão da alimentação poderá tornar-se complicada. Nestes casos o que terá mesmo que fazer é pesquisar sobre as tradições gastronómicas do destino e, caso não o satisfaçam, terá que garantir que estará por perto de um supermercado, onde poderá adquirir alguns produtos, a fim de minimizar a questão.

10. Tenho um cargo importante que me obriga a estar sempre disponível para o trabalho

Sinceramente não sei se isto existe de verdade ou é mesmo uma graaande desculpa. Todos nós precisamos de momentos, por mais pequenos que sejam, em que estamos totalmente desligados do trabalho. É isto que nos vai permitir ter predisposição, foco e produtividade quando voltarmos. Há muitos estudos sobre isto, pelo que nem vou aqui remoer sobre este assunto, mas se, mesmo assim, insistir com esta desculpa, acredite que ela não passa disso mesmo, ou não fosse tão popular, hoje em dia, o nomadismo digital! Se não sabe o que é pode ler este artigo que escrevi sobre o assunto.

Mentalize-se: viajar é um investimento de tempo e dinheiro em experiências, aquilo que enriquece o ser humano e lhe permite crescer! Saia de casa, vá viver!

Até quando vai alimentar mais desculpas? Tem outras que costuma usar? Conte-me tudo, vou gostar de saber e ajudá-lo a encontrar soluções!

—– Artigo originalmente publicado no Linkedin. —–

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