Desde que o vírus se instalou na Europa e, mais concretamente, em Portugal, que os impactos ao nível da área do Turismo têm sido devastadores. Uma das armas mais fortes que temos no combate a uma doença deste tipo é não permitir que se propague e só o distanciamento social nos pode ajudar, pelo menos nesta fase, nesse ponto.

Ora, o Turismo é uma área de atuação muito física, feita de Pessoas, para Pessoas, por Pessoas e com Pessoas. Raras são as atividades que se podem realizar virtualmente ou digitalmente e dou alguns exemplos:

  • hotelaria – não nos podemos hospedar num hotel e viver essa experiência sem sair de nossa casa;
  • animação turística – não podemos fazer um passeio de BTT na Serra da Arrábida no nosso lar;
  • restauração – não podemos usufruir de um prato especial de um vencedor de uma estrela Michelin em nossa casa, pois toda a envolvente é afetada;
  • agências de viagens/ operadores turísticos/ DMC/ transportes – não podemos comprar uma viagem se todos os aviões, cruzeiros, comboios, autocarros de Turismo estão parados;
  • eventos – não podemos assistir a um espectáculo de Fado na televisão da nossa sala, pois a sensação do presencial não é a mesma, o que afeta amplamente a qualidade.

Bom, claro que tudo isto é possível. A tecnologia de hoje permite-nos fazer magia, mas o grande segredo do sucesso da área do Turismo é perfeitamente inegável neste momento. Trata-se da emoção. Hoje a viagem significa muito mais do que a viagem em si. O turista procura a diferenciação. Assim, a emoção só pode ser verdadeiramente ativada e 100% sentida se experienciada in loco. E esta, caro leitor, é a razão, também, da grande queda do Turismo, associada à crise sanitária que estamos a viver. Este vírus atua exatamente no centro, bem no coração da atividade turística, o que é simplesmente incontornável e devastador. É impossível encontrar soluções neste momento, porque a prioridade é salvar vidas humanas e só com a imobilização das pessoas isso é possível.

Já começam a surgir ideias disruptivas, muito interessantes e de louvar, tais como campanhas publicitárias de esperança que mostram que continuamos com vontade de acolher, que os nossos ex-líbris não vão desaparecer e que, quando possível, estaremos disponíveis e cheios de vontade de fazer a máquina mexer novamente; os museus abriram as suas portas virtuais a visitas; alguns guias já começam a criar alternativas de visitas guiadas virtuais; já vi caminhadas e atividades de orientação na natureza, também elas virtuais; conheço uma agência de viagens que está, neste momento, a diversificar a sua oferta, apostando na formação histórico-cultural de guias e profissionais de Turismo, a fim de prepará-los melhor para a retoma; as provas de vinhos virtuais estão também a fazer muito sucesso. Enfim, são ideias que nos devem orgulhar como profissionais da área e cidadãos de um povo resiliente, inovador e que mostra que consegue adaptar-se à maior das provações, pensar “fora da caixa”, mas, não nos iludamos, não permitem criar novos modelos de negócio para ultrapassar esta crise, nem atingir as metas a que nos habituámos.

Não, também não considero que tem que voltar a ser tudo como era. Sei claramente que estávamos completamente envolvidos numa teia economicamente viciante, a caminhar rumo a uma rutura ambiental e social, da qual não poderíamos escapar e por muitos prevista e alertada. Há que encontrar, então, a oportunidade de fazer mais e melhor nisto tudo.

Assim, nesta fase, é preciso mantermo-nos imóveis para sobreviver, mas isto não quer dizer que devemos ficar inertes a ver tudo a acontecer. Há uma série de coisas que podemos (e devemos) ir fazendo neste momento tão difícil:

  • Perceba e assimile que cada profissional do setor tem o seu papel na recuperação do Turismo: o tempo é de proatividade, resiliência e coragem por parte de absolutamente TODOS;
  • Como líder, proprietário ou chefe, invista nas suas Pessoas: é uma boa altura para apostar na formação das suas equipas, pois elas estão finalmente todas paradas e disponíveis; sei que sem liquidez é muito difícil pagar formação, mas, se há investimento que deve fazer agora, é esse;
  • Como funcionário, contribua com ideias, sugestões e o apoio necessário à sua entidade patronal a fim de se manterem coesos para ultrapassar esta fase;
  • Faça a gestão da sua carreira: pare para refletir sobre como se vai manter até tudo isto terminar; se pretende continuar na área; onde quer chegar exatamente; como pode trabalhar para ser um profissional ainda melhor e um colega mais humano; estudar e trabalhar, na medida do possível, mas com muita força e garra, apostando no seu crescimento pessoal e profissional;
  • Invista fortemente no networking: conhecer pessoas da área (e não só), debater ideias, falar sobre os assuntos, esclarecer dúvidas, partilhar angústias, discutir pontos de vista, criar parcerias, analisar ideias de negócio ajuda a aumentar o seu nível de conhecimentos, a criar uma rede de contactos, a posicionar-se como um profissional de valor e, quem sabe, a encontrar “a” solução; lembre-se que o Turismo é um sistema, trabalha em rede e, agora, mais do que nunca, devemos unir-nos;
  • Pensar no futuro com cautela: quem determina o fluxo turístico é a procura, o que quer dizer que não vale muito a pena estar a tentar criar um unicórnio; tem que estar bem atento aos movimentos que se vão desenhar quando isto tudo passar e agir de forma ágil, rápida, inteligente e incisiva; para criar um produto (oferta) verdadeiramente forte e diferenciador, ao ponto de criar uma tendência e atrair o nível de procura e consequente geração de receita nos volumes que o Turismo precisará para se reerguer, seria necessário ter uma capacidade de prever o futuro muito grande, o que é muito difícil neste momento, até porque esta é uma situação completamente inédita e os impactos mundiais a todos os níveis ainda não se conseguem prever; existem, no entanto, algumas antevisões naturais que nos podem dar algumas linhas orientadoras e que, no fundo, nos remetem um pouco ao “back to basis”, tais como uma aposta maior no turismo interno, no turismo de natureza, nos destinos de interior, em opções mais sustentáveis; é preciso apostar numa imagem de marca baseada na segurança da saúde pública e na serenidade, o que, de um modo geral, me parece relativamente fácil de conseguir, não só pela forma como temos lidado com esta situação enquanto nação, mas também porque somos um povo caracteristicamente humano e limpo.

 

 

E você, tem mais sugestões para o AGORA?

Qual a sua opinião sobre isto tudo?

Conte-me tudo, vou gostar de saber!

 

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