Esse é o problema, qual é a solução? Apresentem-me soluções! Foco na solução! O Técnico de Turismo é, em todo o momento, um problem solver. Comecem já!

É o que costumo dizer aos meus alunos sempre que me apresentam problemas. E acredito, de facto, nisto.

Os últimos dias têm sido de reflexão intensa: “como posso ajudar o Turismo a safar-se desta?” Parece até um pouco arrogante não é? Eu, minúscula, um pontinho neste vasto universo ia encontrar a solução para um problema global! Mas não desisto. Acredito que, nem que seja suscitando a reflexão, o debate e mantendo o foco na solução, podemos encontrar ideias nunca antes pensadas e, porque não, experimentá-las? Eu sou só uma, mas o momento é de união. Juntos podemos mais, somos melhores, venceremos! Vem comigo?

Tenho falado com colegas, conhecidos, alunos, professores, todos direta ou indiretamente ligados ao setor e seus dependentes e a resposta é sempre a mesma: “não sei!” Ninguém sabe. Assim como eu, ninguém sabe. As pessoas estão perdidas, porque esta situação é inédita, mas, sabe que mais? Tudo é inédito até acontecer pela primeira vez! Que saibamos aprender com a situação e estar preparados para a próxima, porque, sim, vai haver uma próxima.

Tal como defendi no meu último artigo, acredito que a palavra de ordem é reinventar e deitar mãos à obra, mas, mesmo para isso há alguns aspetos que têm que estar reunidos. “Um hotel nunca fecha”, lembro-me eu de dizer repetidamente aos meus alunos. Hoje a maioria está fechada e os que ainda não o fizeram vão fazê-lo mais cedo ou mais tarde. “Um avião vai e volta, só pára para abastecer e para manutenção”. Hoje a maioria está no chão. Estamos a falar de milhões parados. Milhões de euros e milhões de Pessoas.

O Turismo não se faz sem movimento, sem pessoas, sem contacto. Como dizer ao proprietário de um hotel de 150 quartos, que se encontra fechado, que tem que se reinventar quando a palavra de ordem no momento é parar? Como dizer a uma companhia aérea, que tem as suas asas cortadas, que tem que se reinventar quando o que todos temos que fazer agora é parar?

E que agora é esse? Ninguém sabe. O que sabemos é que a perspetiva é relativamente duradoura, o suficiente para fazer cair muitos e muitos negócios por esse mundo fora. Em Portugal, o Turismo contribui com cerca de 15% para o Produto Interno Bruto, um dos mais altos do mundo inteiro. Falamos de quase 65 000 empresas e cerca de 1 milhão de profissionais. Depois, há que ter em consideração que os números no Turismo raramente são exatos, já existem muitas áreas que, não sendo Turismo puro, necessitam dele para viver e para ele contribuem também, o que expande ainda mais estes valores. Está a ver o dilema não está? Já ouvi relatos de produtores pecuários que têm milhares de ovos parados e vão começar a matar galinhas, produtores de queijo que todos os dias deitam litros e litros de leite fora. E, acredite, estas pessoas estão a doar, mas, mesmo assim, este é o cenário. Com os restaurantes todos fechados, não há escoamento dos produtos e o desperdício torna-se uma realidade. Que irónico não é? Num dia queixamo-nos porque a procura é pouca, a concorrência é muita, os preços são baixos e, no outro, visto daqui, o pouco de ontem é verdadeira abastança…

Não quero ser pessimista, mas temos que encarar a realidade: salvo se surgir um medicamento milagroso qualquer entretanto, só poderemos voltar ao nosso ritmo de vida “normal” quando for encontrada uma vacina eficaz e esta estiver no mercado, disponível para utilização. Sabemos que isso não será possível em menos de um ano na melhor das hipóteses. Então, até podemos ser incentivados a sair e a retomar, mas não será o suficiente para alavancar a economia como precisamos e estaremos sempre expostos, portanto, a cautela é sempre o melhor caminho. As coisas primeiras primeiro e primeiro está a sobrevivência da humanidade.

Assim sendo, se tivermos que aguentar esta situação por mais um ano, como garantir a continuidade destas empresas, destes profissionais, deste setor? Sim, estão a ser tomadas algumas medidas por parte do estado, mas, mais uma vez, sejamos realistas: não há sistema que suporte uma situação destas, pois mesmo que sejam atribuídos créditos, mesmo que se dêem ajudas ao nível dos recursos humanos, sem qualquer liquidez não há apoios que nos valham! E estou só a falar do Turismo. Existem outras indústrias tão ou mais afetadas do que esta. A única solução seria parar mesmo tudo: custos e despesas, já que parou também a procura e a entrada de valores. Mas, naturalmente, não é solução. A economia não pode parar! Tem que ir girando, mesmo que devagarinho. O Turismo, esse, parou totalmente e, nós, o que faremos?

Das situações que conheço, alguns estão paralisados com o medo, desesperados e sem saber o que fazer; outros estão a tomar medidas que apenas servem para pressionar e amedrontar os funcionários, como se estes não estivessem a fazer o suficiente, como se estivesse nas suas mãos resolver este problema; outros estão a fazer uma série de disparates como despedir pessoas de forma impensada, desumana, impulsiva e precoce; alguns estão a depositar todas as suas fichas numa ajuda do estado que não chegará; outros estão a respirar, a ponderar e a pedir ajuda, a reunir as equipas, a analisar situações e a delinear estratégias. A estes últimos, os meus parabéns, a minha gratidão pelas Pessoas, pelo setor!

Ainda assim, sendo realista mais uma vez, temos que encarar: muitas e muitas empresas vão ficar pelo caminho; muitos e muitos profissionais vão para o desemprego. Prepare-se para o embate, vai ser duro, vamos ter que apertar o cinto, logo agora que estávamos a começar a respirar, quase recuperados da crise económica de há dez anos atrás. Leve o seu tempo, permita-se gritar, chorar, desesperar, mas, a seguir, enxugue as lágrimas, arregace as mangas e lembre-se que, uma vez recuperados, ninguém nos pára, porque aí, já sabemos mais, já sabemos melhor.

Mantenha a esperança. Mantenha-se positivo. Mesmo sem ter um vislumbre do futuro uma coisa é certa: o Turismo já deu provas de ter o poder de alavancar uma economia em recessão. Fá-lo-á de novo! É uma questão de tempo. Pouco para uns, muito para outros. Mantenha a calma e pondere sobre as decisões que tem que tomar; lembre-se que há sempre um caminho, há opções e o mundo (ainda) não vai acabar, é sempre tempo de recomeçar; reinvente-se como empresa na medida do possível; reinvente-se como profissional como puder; se não o conseguir de todo, pelo menos não páre nunca de apostar em si, o momento de renascer das cinzas chegará e estará pronto para enfrentar mais uma fase da vida, firme e hirto, como qualquer profissional de Turismo, na frente batalha!

 

Por agora, e acima de tudo, keep safe e vamos todos ficar bem!

 

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