Hoje em dia existem muitas possibilidades para quem pretende viajar, no que diz respeito ao planeamento e à montagem da própria viagem. Até já é possível fazê-lo completamente sozinho e à distância de um clique. Mas, o que provavelmente desconhece, é que existe uma área do Turismo que se dedica exclusivamente à conceção de produto de viagem. Raramente alguém os conhece ou ouve falar neles, porque fazem todo o trabalho de bastidores e são “invisíveis”. Eles são os profissionais dos Operadores Turísticos.

Hoje dou-vos a conhecer uma dessas pessoas. Ela é a Diana Rebelo, natural de Campo Maior (terra do café e da festa das flores) e veio para a capital a fim de aliar o sonho de viver em Lisboa, com a vontade de trabalhar em Turismo.

Fui saber um pouco mais sobre estas funções, esta profissional e o seu percurso:

CR – Como é que se dá a decisão de estudar Turismo?

DR – O Turismo só apareceu na minha vida já em adolescente. Sempre quis ser professora, levei uma infância inteira a dar aulas aos meus bonecos, até que cresci e abri horizontes para novas possibilidades. Quando estamos naquela fase de escolher a área que queremos prosseguir, é-nos revelada uma panóplia de possibilidades e nessa altura somos “obrigados” a enveredar por um caminho específico. Nunca tive interesse no mundo das ciências, sempre fui mais virada para letras. Foi aí que o interesse pelo Turismo surgiu, pois é uma área que nos permite explorar várias profissões e mercados diferentes. Quando fiz o estágio curricular em agência de viagens de rua, percebi que o que queria era estar nos bastidores daquilo que são “as viagens de sonhos” de cada um, daí o interesse em trabalhar em operador.

CR – Considera que se apaixonou por esta área?

DR – Sim, é uma satisfação chegarmos ao final do dia e sabermos no nosso íntimo que é aquilo que queremos fazer, é a adrenalina de poder ajudar o nosso cliente a planear a sua viagem, logo desde o início até à sua realização. Não há nada mais gratificante do que recebermos feedback do cliente a informar o quanto gostou da sua viagem e o quão grato está por toda a nossa ajuda.

CR – Qual a grande diferença entre um Operador Turístico, uma Agência de Viagens e um DMC (Destination Management Company)?

DR – A agência de viagens é o cliente do operador turístico, recorre ao operador para contratar os vários serviços da viagem do cliente comum. Por sua vez, o operador recorre à DMC para contratação de serviços no destino como por exemplo transferes, excursões e bilhetes de eventos. A DMC é o agente especialista no destino, é o recetivo do operador que recebe o cliente e lhe presta auxílio durante a sua estadia.

CR – Como caracteriza o mercado dos Operadores Turísticos em Portugal?

DR – O mercado de operadores turísticos em Portugal é bastante tradicional, apresentam quase todos os mesmos destinos/ produtos. São poucos os que apresentam um produto diferenciado, é urgente inovar-se na criação de novos pacotes de viagens. O velho pacote de voo + hotel + transferes está ultrapassado, o cliente hoje em dia quer viver e experienciar o destino em primeira mão, quer fazer muito mais do que estar num resort de 5* “de papo para o ar” o dia todo. Quer sair à descoberta e vivenciar a cultura, conviver com os locais e sentir todas as energias daquele destino. Quer uma experiência memorável e não é dentro de um resort durante oito dias que a vai alcançar.

CR – Como é o dia-a-dia de um profissional de Turismo num Operador Turístico?

DR – No nosso dia-a-dia fazemos atendimento ao cliente (agências de viagens) telefonicamente e por e-mail. Fazemos a contratação de todos os serviços da reserva, desde a reserva do voo, ao hotel, transfer e excursões, até ao jantar no único restaurante underwater do mundo. Transformamos os sonhos das pessoas em realidade ou, pelo menos, tentamos conseguir o mais próximo possível do sonho.

CR – Quais as vantagens e desvantagens desta profissão?

DR – Uma das vantagens desta profissão é, sem dúvida, o nível de conhecimento que temos do mundo. Falamos dos destinos como se lá estivéssemos estado e nem sempre é esse o caso. As desvantagens são o fluxo de trabalho: quanto toda a gente está a comemorar as épocas festivas nós já estamos “fartos” delas, porque já nos passaram todas as reservas e mais algumas pelas mãos, até já não termos mais nada para vender nos vários destinos que o operador oferece; o nível de stress/ pressão a que, por vezes, estamos sujeitos, devido aos vários clientes que temos para um determinado destino, pois só queremos que as coisas corram bem e conforme confirmadas na reserva; a remuneração: os profissionais de Turismo não são bem remunerados, tendo em conta a exigência e complexidade das suas funções e o nível de conhecimentos que têm que ter.

CR – Pretende voltar a estudar?

DR – Um dia, quem sabe? Para se trabalhar nesta aérea, é necessário estar em constante atualização, seja dos novos destinos que vão surgindo, dos novos procedimentos/ regras de cada companhia aérea, etc. Para se ser técnico de turismo não basta só tirar um curso, seja ele técnico ou superior. São, também, necessárias várias formações de programas específicos com os quais trabalhamos no nosso dia a dia, desde plataformas para efetuar reservas de voo, hotéis e excursões, como também formação sobre os destinos que vendemos, os próprios hotéis, as atrações, as companhias aéreas que voam para o destino, entre muitas outras informações que são de extrema necessidade. Ser técnico de turismo é estar em constante formação, profissional e pessoal.

CR – Aconselharia esta profissão a outras pessoas?

DR – Claro que sim, é uma ótima maneira de podermos fazer a diferença na vida das pessoas. Quando o cliente volta da viagem e nos dá feedback do quanto gostou e de como foi uma experiência inesquecível, somos preenchidos por uma satisfação enorme e isso vale tudo.

CR – Onde quer chegar exatamente?

DR – Ainda não sei onde quero chegar, qual o objetivo final de carreira. Sei que quero fazer parte de uma instituição ligada ao mundo do Turismo, que faça a diferença no mundo, que tenha uma vertente humanitária nos seus planos, que use o Turismo para ajudar o destino a desenvolver-se a nível económico e turístico, mas também as pessoas que lá vivem. O que sei é que quero ajudar pessoas.

CR – Conte-nos uma história caricata que tenha acontecido no âmbito do seu trabalho e que queira partilhar connosco.

DR – Muitas são as histórias… Uma das mais engraçadas, foi um cliente que vagueava pelo hotel nu. Fomos contactados pela unidade em questão a informar que o nosso cliente, de vez em quando, a meio do dia, aparecia nu nas zonas comuns do hotel (corredores, jardins). Após várias chamadas de atenção feitas localmente ao cliente, o hotel contactou o operador para tentar perceber o porquê do senhor continuar a aparecer naquele estado. Foi então que, através da agência de viagens, ficámos a saber que o senhor tinha problemas do foro psicológico.

 

Muito obrigada, Diana, pela sua colaboração nesta entrevista e pela dedicação diária à sua profissão. É esplêndida!

 

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Se é um profissional de Turismo e gostaria de ser entrevistado no âmbito da rubrica “Os Incógnitos do Turismo de Portugal” entre em contacto comigo, vou gostar de o conhecer!

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