Os hotéis têm uma dinâmica de trabalho muito própria. Estão sempre em funcionamento e precisam de muitos e dos melhores funcionários. Todos eles desempenham um papel preponderante na cadeia de valor, que se interrelaciona com os demais. Para que um Diretor possa gerir e liderar estas equipas da melhor forma, precisa do apoio direto de um profissional fundamental: o Assistente de Direção. Hoje dou-vos a conhecer uma dessas pessoas. Ela é a Diana Rodrigues, uma jovem algarvia.

Fui saber um pouco mais sobre estas funções, esta profissional e o seu percurso:

CR – Como é que se dá a decisão de estudar/ trabalhar em Turismo?

DR – Por um lado, eu sempre vivi com o turismo, já que sou do Algarve, uma das zonas com maior histórico turístico nacional, logo esta área está-me no sangue. Por outro lado, o meu pai sempre esteve ligado ao turismo e às viagens e confesso que o fascínio dele passou para mim. A forma de como em casa falava do seu dia-a-dia, fez-me despertar a curiosidade para os hotéis e os lugares.

CR – Começa logo muito cedo na área da hotelaria como Assistente de Direção. Não sente falta de ter tido outras experiências dentro de um hotel antes de assumir esta função?

DR – Facto é que comecei cedo como assistente de direção. No entanto, sempre procurei conhecer o máximo possível acerca de todas as áreas de um hotel. Antes de desempenhar estas funções, estive em estágios que me possibilitaram obter outras experiências. Aliado a isto, quando comecei na empresa onde me encontro agora, tive um período de adaptação, em que passei por todos os departamentos do hotel (manutenção, receção, andares, cozinha, economato e direção). Com esta experiência, fiquei com uma visão muito abrangente de tudo e deu-me a coragem e a segurança para poder assumir as funções que tenho hoje.

CR – O que faz exatamente uma Assistente de Direção Hoteleira?

DR – Gosto de dizer que os assistentes de direção são o elo de ligação entre diretor e chefias/ colaboradores. Neste sentido, um assistente está presente na gestão de reclamações, prepara uma série de reports, realiza auditorias aos diversos departamentos, apoia na contratação e formação de colaboradores, acompanha e supervisiona as operações diárias, assegura o cumprimento de normas de HACCP, está empenhado no cumprimento das normas e standards da empresa e apoia e auxilia a tomada de decisões da direção.

CR – Qual a real importância desta função para o funcionamento geral de um hotel?

DR – Ao contrário do que se possa pensar, um assistente de direção não faz só trabalho de backoffce. Grande parte do nosso tempo de trabalho é passado na operação a ouvir, ajudar, formar, motivar e interagir com as equipas. Somos a referência e, muitas vezes, um exemplo para a maioria dos colegas, pelo que há muita responsabilidade associada à nossa função. Por outro lado, enquanto elo de ligação entre diretor e chefias/ colaboradores, o assistente de direção é o elemento que garante a boa comunicação interna, que sabemos que é um critério fundamental para o bom desempenho qualquer empresa. Assim sendo, considero a nossa ação determinante para o sucesso operacional de um hotel.

CR – Quais as grandes vantagens e desvantagens da sua atual profissão e como lida com elas?

DR – Uma das grandes vantagens é, sem dúvida, poder trabalhar com todo o tipo de pessoas, quer sejam colegas, fornecedores, parceiros ou clientes. Isto permite-nos, além da magnífica interação, ter uma network vasta e poderosa. Por último, permite-nos ter sempre dias diferentes, deixando o monótono de lado. No que toca a desvantagens, poderia apontar a elevada exigência a que obriga. Às vezes o ritmo é tão acelerado e a envolvência é tal, que é difícil “desligar” e perceber que existe um mundo “lá fora”. De qualquer das formas, esta questão ultrapassa-se com foco, pelo que nem considero nada de especialmente grave.

CR – Para si, quais as características de um bom líder e como faz para as aplicar no seu dia-a-dia de trabalho?

DR – No meu pensamento, está muito presente que um líder deve ser o exemplo. Deve ser o “guia” do grupo e o que dá as ferramentas à equipa para que possa trabalhar da melhor forma. Por último, é aquele que veste a “camisola” e protege a equipa. No meu dia-a-dia, tento sempre ser a primeira a dar o exemplo, até porque estamos muito expostos e todos vêem as nossas ações. No passado tive a sorte de ter bons exemplos que me fizeram querer ser mais e melhor profissional e é essa missão que tento agarrar também e ser um modelo para as minhas equipas.

CR – Aconselharia esta profissão a outras pessoas?

DR – Sim, claro que sim! É uma profissão em que temos um conhecimento e um contacto muito abrangente sobre todo o funcionamento de um hotel e, pelas relações que se estabelecem, como disse anteriormente, não é monótona.

CR – Está localizada numa zona do país muito específica, com uma forte cultura turística, mas também muito sazonal. De que forma lidam com esta questão, de modo a ultrapassar as dificuldades, especialmente na contratação de mão-de-obra especializada?

DR – Há, de facto, essa dificuldade. De forma colmatá-la, mantemos estreitas relações com diversas instituições de ensino especializadas, contactamos frequentemente com organismos de apoio à empregabilidade e empresas de recursos humanos e também participamos em feiras e bolsas de emprego.

CR – Que outros projetos tem para o futuro ao nível profissional?

DR – Estou a desenvolver um projecto pessoal, também ligado ao setor do turismo e da hotelaria e o objetivo é concluí-lo e poder dedicar-me a ele. No entanto, como irá demorar alguns anos ainda, gostava de me desenvolver nas áreas financeiras ou até mesmo focar-me e conhecer ao pormenor uma área apenas, como por exemplo o setor de comidas e bebidas.

CR – Conte-nos uma história caricata que tenha acontecido no âmbito do seu trabalho e que queira partilhar connosco.

DR – Bem, acho que trabalhando na hotelaria, temos sempre histórias caricatas para contar. Nem sei bem qual escolher… Mas bem, a que mais recordo, porque muito me impactou, foi uma que aconteceu logo na minha primeira semana de estágio. Estava com a Assistente de Direção daquele hotel e fomos resolver uma reclamação. A cliente estava visivelmente perturbada e a minha colega recebeu-a de braços abertos, tentou falar de forma graciosa, como se de uma conversa entre amigas se tratasse e nunca uma reclamação. A maneira como ela lidou com a situação ficou gravada na minha mente e, ao longo da minha evolução, tentei sempre seguir aquele modelo.

 

Muito obrigada, Diana, pela sua colaboração nesta entrevista e pela dedicação diária à sua profissão. É brilhante!

 

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Se é um profissional de Turismo e gostaria de ser entrevistado no âmbito da rubrica “Os Incógnitos do Turismo de Portugal” entre em contacto comigo, vou gostar de o conhecer!

 

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