Numa época em que Portugal está nas bocas do mundo pelas maravilhas que tem para oferecer, muito se fala em apostar cada vez mais na formação de pessoas para trabalhar na área.

A verdade é que o turismo é daqueles ramos onde a maioria das pessoas acha que qualquer um pode trabalhar. No entanto, o consumidor é cada vez mais exigente e a responsabilidade de Portugal, em bem receber e em bem fazer, é cada vez maior, pelo que se pensa (e bem) em apostar cada vez mais na qualidade do serviço.

Não sou daquelas pessoas que acha que é preciso formação superior para qualquer tarefa que se desempenhe, o mundo é grande e há espaço para todos. Muitas são as pessoas que pouco estudaram e dedicaram a sua vida ao turismo, são excelentes profissionais e muito temos a aprender com eles, no entanto, esses dias estão prestes a terminar porque vivemos na era do imediatismo, já não se levam 40 anos para subir na carreira, há pessoas cada vez mais novas em cargos de topo, muitas delas sendo a sua primeira experiência de trabalho e a formação poderá ser determinante para desempenhar as suas tarefas com a competência necessária.

Posto isto, para melhor responder à questão colocada no título deste artigo, gostaria de clarificar, primeiro que tudo, o que é Turismo. A área do turismo é isto mesmo – uma área. Inclui mais ou menos sub-áreas, dependendo do contexto em que atuamos ou ao qual nos estamos a referir. Além disso, existem, ainda, as atividades de apoio que, apesar de não fazerem parte da área, são fundamentais para o seu desenvolvimento e contribuem, ativamente, para a contabilização dos seus benefícios ao nível económico, através dos efeitos multiplicadores. Dou um exemplo:

  • A área do turismo inclui o setor das viagens, da hotelaria e da restauração, mas também precisa da existência e apoio de supermercados, cabeleireiros, lojas de roupa, etc.

Assim sendo, todos, de um modo geral, estão envolvidos, ainda que indiretamente, com a experiência de turismo de quem visita um país ou região, daí a importância vital da implementação do conceito de “educação turística”. Tal como defendi no artigo “Educar para o Turismo: um papel de todos nós!”, acredito que a educação turística não é mais do que uma forma de estar, em que qualquer um de nós poderá e deverá ter um papel ativo, enquanto embaixador de uma região, de um país.

Então todas as pessoas de um país recetor terão que se formar em turismo?

Não, o que quero dizer não é isso. O que quero dizer é que a educação turística tem que estar presente em todos nós, mas há sempre quem tenha que “comandar o barco”, nomeadamente os especialistas em turismo. 

Este é um tema controverso, porque nem a legislação do trabalho em turismo, nem as empresas em Portugal estão preparadas para ter pessoas com formação superior a trabalhar nesta área. Sim, muito se diz que é preciso formar, é preciso qualificar, mas depois não há condições de encaixar devidamente estas pessoas, já que não há oportunidades, vencimentos, formas de trabalhar, nem reconhecimento adequados.

Por outro lado, a verdade é que existem tarefas demasiado operacionais, técnicas e práticas e há que encarar a realidade: uma formação superior, grosso modo, forma pensadores e não fazedores. É claro que, chegados ao mercado de trabalho, os profissionais têm que se adaptar e uma de três situações vão acontecer:

  1. São licenciados e vão desempenhar as tarefas existentes no mercado em maior quantidade, tais como rececionistas de hotel, empregados de mesa, empregados de andares, entre outros – neste caso terão que desempenhar tarefas mais práticas, rotineiras, com pouco estímulo intelectual e muito mal pagas; as oportunidades de crescimento e evolução não surgem, levando-os à frustração e, pouco tempo depois, a mudar de trabalho, de empresa e, mesmo, de ramo de atuação.
  2. Hipótese 1, mas surgem oportunidades de crescimento que os profissionais vão agarrando e, por isso, vão evoluindo, destacando-se e construindo, assim, uma carreira de sucesso até chegar ao topo. É preciso realçar que, apesar de ser uma área em expansão, a hipótese 2 retrata a minoria dos profissionais do sector.
  3. Hipótese 1, mas a sua paixão pela área é tal que recusam-se a abandonar, reinventam-se e empreendem ou atuam por conta própria.

Assim sendo, a minha opinião é que é preciso pensar muito bem antes de entrar neste ramo de atuação e definir uma estratégia de formação versus experiência.  Algumas opções existentes, e que não se esgotam por si só, são:

  • Cursos profissionais: para cargos operacionais, podendo sempre dar continuidade aos estudos, a par da experiência prática, caso surjam oportunidades de crescimento;
  • Cursos de especialização tecnológica: para quem pretende desempenhar tarefas muito específicas como barmen, cozinheiro, empregado de mesa, entre outras;
  • Licenciatura: para quem tem o sonho de ter um negócio próprio, para cargos institucionais, para cargos de gestão ou para quem pretende seguir a via académica;
  • Pós- graduação: para quem pretende uma especialização relativamente prática para o melhor desempenho das suas funções atuais e/ou crescimento previsível;
  • Mestrado/ Doutoramento/ Pós Doutoramento: essencialmente para quem pretende seguir a via académica, de produção de conteúdos da especialidade ou para quem, simplesmente, por uma questão de gosto e brio profissional, assim o pretenda. 

Em qualquer um dos casos há um elemento que é indispensável, nomeadamente, a paixão! Sem paixão e deslumbramento pelo turismo ninguém trabalha com satisfação neste ramo, descubra porquê no meu artigo “Os profissionais de turismo são anjos na terra”.

profissionais de turismo como anjos na terra

Concluindo e respondendo à questão inicial: na minha opinião, não é propriamente necessária formação superior para se trabalhar em turismo, no entanto, é necessária formação! Cada pessoa deverá adaptar a sua formação à sua ambição e à sua evolução profissional, há espaço para todos.

Espero que estas clarificações o possam ajudar a traçar/ reestruturar o seu caminho.

Tem dúvidas? Partilhe-as comigo, terei todo o gosto em contribuir com a minha opinião.

Concorda ou não concorda com o meu ponto de vista? Comente abaixo!

—–Artigo originalmente publicado no Linkedin. —–

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