A Hotelaria é um dos ramos do Turismo e, dentro da Hotelaria, muitas são as funções que se podem assumir. Há hotéis dos mais pequenos aos maiores, dos mais simples aos mais sofisticados, dos mais modernos aos mais antiquados, enfim, há muita coisa, mas, grosso modo, quem trabalha em hotelaria é polivalente, versátil e já fez um pouco de tudo.

Hoje dou-vos a conhecer uma dessas pessoas. Ele é o Edgar Cabaço, começou a trabalhar em hotelaria ainda adolescente e decidiu, então, estudar Gestão Hoteleira. Licenciou-se pela Escola Superior de Turismo e Hotelaria de Seia com distinção e, desde aí, o seu percurso tem-se afunilado para a área do economato e, mais recentemente, do aprovisionamento.

Fui saber um pouco mais sobre estas funções, este profissional e o seu percurso:

CR – Estudaste Gestão Hoteleira e o teu percurso tem sido desenvolvido na Hotelaria. O que te atrai nesta indústria?

EC – É verdade, desde os meus 18 anos que ando pelo mundo hoteleiro. Sou, simplesmente, apaixonado por esta área e pelos desafios constantes que enfrentamos todos dias.

CR – Tiveste várias experiências em várias regiões de Portugal Continental e ilhas. Quais as grandes diferenças que encontras no mercado de local para local?

EC – A diferença é mesmo a localização das unidades. Torna-se mais complicado gerir espaços que estejam mais deslocados dos grandes centros. Só para dar uma ideia: uma das minhas experiências foi na Pousada de Condeixa, onde tinha fornecedores que apenas passavam de semana em semana ou até mesmo de 15 em 15 dias. Podes imaginar como era, por vezes, difícil gerir encomendas de produtos face à ocupação e aos eventos que surgissem na unidade.

CR – Antes de te especializares mais na área do economato tiveste outras experiências. Conta-nos um pouco sobre elas e como chegaste até aqui.

EC – Posso dizer que já fiz um pouco de tudo dentro de um hotel. Comecei a minha carreira como mandarete, passei pelo front office, pelo back office, pelo house keeping e pela cozinha. Todas estas experiências foram bastantes enriquecedoras e permitiram-me chegar ao economato com um conhecimento muito abrangente da área hoteleira.

CR – O que é, exatamente, um ecónomo hoteleiro?

EC – O economato é a despensa do hotel, logo, ao ecónomo cabe a gestão desse espaço. Tem como principais responsabilidades a gestão de fornecedores, o controlo de custos ao nível de cumprimentos de objetivos e orçamentos, a elaboração de inventários, a gestão de stocks, a receção, conferência, armazenamento e controlo das mercadorias e a implementação de sistemas organizacionais e de controlo (documentação interna e externa).

CR – Qual a importância do economato para o funcionamento de um hotel?

EC – A importância é muito elevada, pois é no economato que se garante que os hóspedes e os funcionários têm o que comer. É preciso jogo de cintura para perceber, por exemplo, quando a procura vai ser maior, quando os eventos vão impactar na quantidade de produtos adquirida e quando se deve comprar menos quantidade para garantir que os produtos não se estragam. Nem sempre é tão simples como parece!

CR – Recentemente descobriste uma nova paixão dentro da Hotelaria. Fala-nos um pouco sobre esta mudança de direção.

EC – Não diria uma nova paixão, apenas usei a minha experiência de economato, nomeadamente a gestão de compras e fornecedores, para me especializar mais na área do aprovisionamento. Neste momento tenho a oportunidade de participar em aberturas de novas unidades hoteleiras em que faço a gestão integral das compras e estou a gostar muito da experiência.

CR – Atualmente quais são os teus maiores desafios a nível profissional e como lidas com eles diariamente?

EC – Conseguir os melhores preços do mercado, mantendo os padrões de qualidade pretendidos. Uma das maneiras de contornar a situação é contactar diretamente a marca e negociar com eles o melhor preço, mesmo que a compra depois seja feita através de um parceiro. 

CR – Que outros projetos tens para o futuro ao nível profissional?

EC – Diria que projeto para o futuro seria mesmo ter algo próprio… mas sempre ligado à hotelaria. Vamos ver!

CR – Muito se fala (e cada vez mais) na formação necessária para se trabalhar na indústria do Turismo e da Hotelaria. Qual a tua visão sobre este tema?

EC – Penso que existe muito trabalho pela frente para melhorar a formação do ramo hoteleiro. Por outro lado, as pessoas têm que começar a deixar de ver esta área como um “escape” para se ter um trabalho. Para que isto aconteça tem que haver um esforço grande por parte de todos os envolvidos na indústria, de modo a mudar o posicionamento do setor. Como disse: é um longo caminho.

CR – Conta-nos uma história caricata que tenha acontecido no âmbito do teu trabalho e que queiras partilhar connosco.  

EC – Fácil…trabalhei num hotel em que fazia horário das 15h30 – 00.00 e, todos os dias, ao início da noite, tinha que fazer a ronda para ver se tudo estava fechado. Certo dia (igual a tantos outros), ao deslocar-me à rua para me encontrar com um amigo meu, consegui ficar “fechado” fora do hotel (tinha colocado mal a posição da porta automática, o que fez com que ela não abrisse mais!!!). Resumindo…tive que saltar o muro da piscina e partir um vidro da porta de acesso ao bar para poder entrar no hotel!

Muito obrigada, Edgar, pela tua colaboração nesta entrevista e pela dedicação diária à tua profissão. És top!

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Se é um profissional de Turismo e gostaria de ser entrevistado no âmbito da rubrica “Os Incógnitos do Turismo de Portugal” entre em contacto comigo, vou gostar de o conhecer!

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