Portugal é o melhor destino turístico do mundo pelo segundo ano consecutivo. Todos estamos orgulhosos, mas, o que provavelmente ainda não sabia, é que também é o país mais acolhedor do mundo. Sim, leu bem, Portugal é o país mais acolhedor do mundo e escrevo-o com toda a segurança, não só porque o ouvi da boca de dezenas e dezenas de turistas estrangeiros ao longo dos últimos vinte anos, mas também porque o comprova o estudo realizado pela InterNations no início deste ano.

E o que é que isto quer dizer exatamente? Sermos o país mais acolhedor do mundo significa que, quando alguém nos visita, temos a capacidade de o fazer sentir-se em casa. As pessoas sentem-se bem recebidas, seguras, cuidadas e apoiadas em Portugal. Este facto contribui, em larga escala, para uma boa experiência de viagem e, consequentemente, para a boa imagem do país.

Como todos sabemos, atravessamos, atualmente, um aumento exponencial da procura turística, mas, na realidade, Portugal sempre foi um destino turístico por excelência. É claro que há uma série de fatores que contribuíram para este boom, mas é indiscutível que um dos elementos que sempre nos distinguiu é a nossa forma de estar com quem nos visita.

Acredite, não é só por causa do sol e dos preços baixos que os estrangeiros nos visitam, nós somos mesmo uns fixes!

Como consumidores somos muito exigentes e, em alguns casos, mesmo picuinhas e, por isso, nem sempre conseguimos apreciar o acolhimento que temos cá dentro, sem falar, é claro, na dificuldade que temos em amar e valorizar o que é nosso!

Mas desengane-se se acha que, na minha perspetiva, tudo é um mar de rosas. Claro que não. Não só acho como sei que há muito a fazer no âmbito do turismo em Portugal. Esta característica de bem acolher é-nos praticamente inata, faz parte da nossa maneira de ser enquanto sociedade de um país historicamente recetor e viajante, mas, ainda assim, muito há a melhorar para tornar o nosso serviço turístico num serviço de excelência.

Questões técnicas à parte, todos nós temos um papel a desempenhar no desenvolvimento do turismo nacional, já que, enquanto locais, somos os embaixadores da nossa região e do nosso país. Embora Portugal seja considerado o país mais acolhedor do mundo, há muitas pessoas que maldizem os turistas, sentem-se completamente revoltadas com as consequências do turismo de massas e só querem mesmo retornar à paz de antigamente.

Sabe, tenho uma notícia para si: Portugal jamais voltará a ser o país à beira mar plantado, pacato e tranquilo que era. A atual facilidade de movimentação de pessoas não permite que tal aconteça, pelo menos não nos grandes centros de Lisboa, Porto, Algarve e Madeira que, de resto, sempre foram os polos de maior atração turística de Portugal.

Assim sendo, só temos duas hipóteses: ou temos fé nas políticas estruturantes, no sentido de minimizar os impactos negativos do turismo de massas e percebemos que o turismo é mesmo o motor que faz mexer a economia portuguesa e, portanto, extremamente necessário, ou fugimos, isolamo-nos, revoltamo-nos e deixamos tudo acontecer, no nosso país, à nossa margem.

Não permita que isto aconteça caro leitor! Portugal é o seu país, é o nosso país. Vamos tomar posse, usufruí-lo e entender que os turistas estrangeiros hoje são os que nos visitam; amanhã somos nós que visitamos outro país e, por isso, vamos acolher cada vez mais, cada vez melhor e ter uma participação ativa no desenvolvimento da boa imagem da marca Portugal!

Acolher cada vez mais, cada vez melhor é:

  • Ter capacidade de adaptação e aceitar todos como parte integrante de um país em constante transformação;
  • Ser gentil quando abordado para fornecer uma informação;
  • Mostrar disponibilidade para ajudar sempre e no que for necessário;
  • Esforçar-se por falar o melhor possível, pelo menos, a língua inglesa;
  • Criar conexões (e quem sabe novas amizades), mostrando pessoalmente o melhor da sua região;
  • Aconselhar, sempre que possível, produtos/ estabelecimentos típicos e tradicionais;
  • Saber um pouco sobre a história/ cultura/ geografia portuguesas;
  • Mostrar e transmitir orgulho nacional.

Ao agir desta forma aprende a viver uma nova realidade, aceita melhor as mudanças constantes e dá o exemplo a todos à sua volta, especialmente às novas gerações que compreenderão estas práticas como algo habitual e, por isso, dar-lhes-ão continuidade, gerando um ciclo – aquilo que se chama “educação turística”, tão necessária ainda em Portugal.

Espero que estas dicas sejam interessantes, úteis e de fácil aplicação. Parece-me que sim.
E você, o que acha?
Identifica-se com estas práticas?
Algo de novo?
Costuma aplicar?
Conte-me tudo, quero saber!

—– Artigo originalmente publicado no Linkedin. —–

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