Como sou de uma região altamente turística, questão que muito pesou na minha decisão de estudar Turismo, sempre tive muito contacto com profissionais do setor. Lembro-me de ser ainda miúda e ouvir o Sr Manuel a contar como tinha subido a pulso na carreira de hoteleiro e demorou 40 anos a chegar a diretor. Apenas com a 4ª classe, este senhor era um exemplo de excelência, profissionalismo e requinte. Fez de tudo um pouco no único hotel onde trabalhou a vida toda. Ainda foi a Lisboa, a uma ou outra formação, que bem lhe custaram pela distância e pelo que gastou. Não era como hoje, que tudo é perto, tudo é baratinho e formações há aí aos montes.

Os tempos são outros, a realidade é outra, mas, por esta e outras histórias, pessoas que conheço e com quem fui tendo contacto ao logo da minha vida e do meu percurso profissional, aprendi a respeitar muito a experiência prática de quem trabalha em Turismo. Estas pessoas foram adquirindo o seu know how fazendo, aplicando, experimentando, por tentativa e erro, reajustando e melhorando os seus comportamentos, a sua técnica a cada dia. São detentoras de um espírito de serviço, de uma gratidão e uma entrega muito difíceis de encontrar nos dias que correm. Zangam-se com as novas tecnologias e com a evolução audaz dos jovens que agora saem das faculdades.

Por outro lado, é muito comum, também, ouvir comentários negativos acerca de quem não tem formação específica para trabalhar em Turismo. Quem investe nos estudos indigna-se contra quem se limita a arregaçar as mangas e começar a trabalhar. A verdade é que isto só acontece porque ainda se aposta pouco na qualidade dos serviços e não se valoriza a mão-de-obra qualificada e, por isso, a exigência decai. Quem tem que pôr comida na mesa acaba por fazer o que precisa e lhe é possível. O Turismo permite e, por isso, há quem o faça. Há quem o faça muito bem, encontre uma paixão e se especialize. Há quem não o faça e contribua para denegrir a sua própria imagem, a do espaço onde trabalha, a de todo um destino e a da própria área de atuação.

Mas será que ter formação é sinónimo de um trabalho de qualidade? Não necessariamente. Na realidade, não importa a formação que tem, mas sim aquilo que faz com ela. Pode até ter uma quantidade infindável de canudos, mas, se for um imbecil presunçoso, acredite, não vai ter sucesso em lado nenhum e muito menos a trabalhar em Turismo. Precisa ter bem claras as “10 Perguntas que se deve fazer antes de decidir estudar/ trabalhar em Turismo”.

 

Assim sendo, o que vale mais neste setor? A formação ou a experiência?

Tal como partilhei no meu artigo “É preciso formação superior para trabalhar em Turismo?”, não acho que todos tenham que ter formação superior para trabalhar nesta área, mas acho que devem ter formação. E não considero que essa formação tenha que ser, necessariamente, formal, mas que venha acrescentar algo de positivo ao desempenho das nossas funções. Importa, no entanto, analisar a autoridade e a credibilidade da informação que consome, cuidado! Para chegar ao ponto de ter espírito crítico e opinar sobre um assunto é preciso muito estudo, muita investigação e muito conhecimento de causa e, isso, aprende-se com os melhores, estejamos a falar de teoria, estejamos a falar de prática.

Por outro lado, é na prática que se faz um profissional de Turismo, já que estamos a falar de um setor em que a maioria das funções são operacionais e de cariz técnico.

 

Na minha opinião, formação e experiência prática devem, então, andar de mãos dadas.

 

Pode começar por explorar algumas funções desta área, para perceber onde se encaixa melhor, de acordo com os seus gostos, as suas competências, as suas preferências e o seu projeto de vida e depois ir consolidando os seus conhecimentos e a sua técnica com formações que se adequem aos seus objetivos.

Pode, também, iniciar pelo sentido inverso: começar por estudar a área de uma forma mais genérica, ir fazendo estágios ou trabalhos em part-time e começar e perceber, nesta fase, exatamente o que quer fazer e continuar o seu percurso.

Seja em que caso for, se realmente quer ser um profissional de excelência, destacar-se e atingir objetivos que lhe permitam ter qualidade de vida, nesta área, é preciso ter noção que terá que trabalhar muito, posicionar-se estrategicamente, definir um plano de ação muito claro, gerir a sua carreira e percebê-la como um processo de desenvolvimento que se constrói ao longo da vida e se vai constantemente reajustando, de acordo com quem é a cada momento, o que quer para si e as prioridades que vai estabelecendo.

O cliente de hoje em dia é exigente e vem em grandes quantidades, o mundo gira muito mais rápido, a concorrência não perdoa, é preciso estar sempre um passo mais à frente. O ritmo é outro, o cliente é outro e por isso o serviço tem que se adaptar. Tem sim que investir em formação, para perceber o que está a fazer e como pode fazer sempre mais e melhor. E tem sim que ir pôr as mãos na massa, para perceber as “dores” reais de quem está no terreno. Misture bem estas duas componentes e dê o seu melhor. Perceba que a prática leva à perfeição e a teoria ajuda-o a encontrar o melhor caminho para lá chegar.

 

Foco, determinação e paixão vão levá-lo exatamente onde quer.    

 

E, para si, o que é mais importante? Formação ou experiência?

 

Conte-me tudo, vou gostar de saber!

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