Com a evolução da atividade turística, muitas têm sido as novas sub-áreas de negócio que têm surgido nos últimos anos. A mecânica da conceção de produto de viagem é, hoje, muito mais fina do que há tempos atrás e, portanto, há espaço para fazer mais e melhor.

As Destination Management Company são um destes exemplos e precisam, diariamente, de profissionais dedicados, empenhados e altamente competentes para colocar o seu conhecimento a favor das necessidades dos clientes que são mais e mais exigentes, mais e mais rigorosos.

Hoje dou-vos a conhecer uma dessas pessoas. Ela é a Micaela Rodrigues, que se licenciou em Turismo pela Escola Superior de Hotelaria e Turismo de Seia, Açoriana, apaixonada pela sua terra e que procura criar viagens memoráveis a todos os clientes que visitam os Açores.

Fui saber um pouco mais sobre estas funções, esta profissional e o seu percurso:

CR – Vieste dos Açores para o continente estudar Turismo. O que te motivou? Conta-nos um pouco do teu percurso.

MR – O interesse pelo turismo surgiu no último instante antes de me candidatar ao ensino superior. Sabia que gostaria de trabalhar diretamente “para pessoas” e por isso coloquei como primeira opção o curso de Turismo, Animação e Lazer da ESTT de Seia, do Instituto Politécnico da Guarda. Optei por este curso por ser o mais abrangente e, após os três anos de bacharelato, ter a possibilidade de escolher uma área de especialização. No estágio curricular tive a oportunidade de me apaixonar pela animação turística e de ter ficado ligada a esta área durante cerca de nove anos. Simultaneamente, desde 2007 até à atualidade, que estou ligada à formação profissional de turismo em diversas escolas profissionais de São Miguel. No entanto, em 2015, decidi mudar e conhecer outras áreas de negócio e, atualmente, estou naquilo que considero ser a “fábrica da atividade turística” – uma Destination Management Company – DMC.

CR – O que é exatamente uma DMC?

MR – Uma Destination Management Company é uma organização especialista num determinado destino e que, com os seus parceiros (transporte, alojamento, restauração, tours, atividades de animação, entre outros), cria produto diferenciado para oferecer aos operadores turísticos e às agências de viagem que, por sua vez, o fazem chegar ao consumidor final.

Atualmente, estou a trabalhar na BUZZ DMC, uma empresa com mais de 50 colaboradores divididos pelos escritórios de Lisboa, Faro, Funchal e Ponta Delgada. Somos especialistas em Grupos, Meetings & Incentives, Organização de Congressos, Viagens de Lazer para Individuais, Shorex e Eventos Corporativos.

CR – Qual a grande diferença entre os DMC e as Agências de Viagens?

MR – A grande diferença está na especialização das DMC. Embora as agências de viagens também criem, por vezes, produto, o seu grande foco é a venda e, mesmo quando concebem, são mais generalistas.   

CR – Qual o lugar das DMC no mundo do Turismo? 

MR – Pode-se afirmar que as DMC resultam de uma evolução do mercado. Estas são empresas que emergem da exigência da procura turística que quer algo único; são multifacetadas e têm capacidade de criar todo e qualquer programa turístico, ajustado ao solicitado pelo cliente e tirando partido do melhor que o destino tem para oferecer. 

CR – Em que consistem as tuas tarefas diárias?

MR – Rotina é algo que não existe na vida de Office Manager ou Project Manager. No escritório dos Açores temos quase todas as áreas de negócio da empresa, não havendo assim monotonia. As minhas tarefas vão desde receber solicitações de programas, criá-los e orçamentá-los, operacionalizar o grupo (reservar alojamento, guias, transportes, restaurantes), criar programas exclusivos de M&I e acompanhá-los no terreno, negociação com parceiros, entre outras.

CR – Quais as grandes vantagens e desvantagens do teu trabalho?

MR – Atualmente uma das maiores desvantagens é o desconhecimento sobre o destino (Açores), aliado à falta de confiança dos agentes de viagem no nosso trabalho. O fato de vivermos numa era em que a internet tem tanto de negativo como de positivo, faz com que a nossa atividade, muitas das vezes, seja prejudicada, porque nem tudo está online, nem se adequa ao que o cliente procura. Nada substitui a consulta de uma DMC local. Daí, uma das maiores vantagens que temos é o conhecimento aprofundado sobre o destino e a grande capacidade de adequar a oferta à procura.

CR – As tuas grandes áreas de experiência prática no mundo do Turismo são a organização de viagens, a animação turística e a formação profissional. Qual delas te preenche mais e porquê?

MR – Sou apaixonada pelas três áreas! Na animação, o contato direto com o cliente é único, porque assistimos na primeira fila à concretização de sonhos e superação de limites, tais como ver uma baleia ou nadar em mar alto com golfinhos selvagens. Quanto à formação profissional, cativa-me a ambição dos formandos e a partilha das minhas experiências com os meus futuros colegas. Por último, estar numa DMC é a cereja no topo do bolo, porque consigo reunir tudo o que há de melhor nos meus Açores e criar produto para superar as expetativas dos meus clientes.

CR – O que mais te apaixona na área do Turismo e porquê?

MR – Exatamente o que acabei de referir: a possibilidade de superar a expectativa de um cliente! Conseguir exceder o que este tinha idealizado sobre a sua viagem aos Açores é fantástico. Não há nada mais gratificante do que deixar as pessoas encantadas pela minha terra e receber um email ou chamada a agradecer todo o meu trabalho.

CR – Que conselho darias aos mais novos que estão a pensar enveredar pela área do Turismo?

MR – É preciso gostar de lidar com pessoas. Temos de estar em constante busca pela excelência e demonstrar dedicação e empenho em servir o nosso cliente. Assim sendo, se não houver essa paixão, é preferível escolherem outra área.

CR – Conta-nos uma história caricata que tenha acontecido no âmbito do teu trabalho e que queiras partilhar connosco.

MR – Em 14 anos de dedicação, muitas são as histórias… creio que daria um livro! Mas o mais importante são os laços de amizade que se criam e os clientes que regressam e te chamam pelo nome!

Muito obrigada, Micaela, pela tua colaboração nesta entrevista e pela dedicação diária à tua profissão. És admirável!

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Se é um profissional de Turismo e gostaria de ser entrevistado no âmbito da rubrica “Os Incógnitos do Turismo de Portugal” entre em contacto comigo, vou gostar de o conhecer!

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