A construção de um bom profissional começa quando ele sabe que segue a sua paixão. Uns encontram o seu caminho mais cedo, outros mais tarde e está tudo bem. Aqueles que sabem o que os move começam pela prática ou pela teoria, mas começam. Hoje dou-vos a conhecer uma dessas pessoas. Ele é o Miguel Ângelo, estudante de cozinha/ pastelaria, que soube, desde sempre, por onde passaria o seu percurso, considera-se uma pessoa humilde, que valoriza as coisas básicas da vida, como ouvir música, conversar com pessoas ou…cozinhar.

Fui saber um pouco mais sobre estas funções, este estudante e o seu percurso:

CR – A cozinha/ pastelaria insere-se na área do Turismo. O que o levou a estudar estas áreas do saber?

– Desde pequeno que sempre acompanhei os programas de cozinha que emergiram nos últimos anos. Via pessoas que se inscreviam e que, apesar de não saberem cozinhar como profissionais, conseguiam superar-se. Isso levou-me a querer saber mais sobre esta área e a inscrever-me num curso de cozinha/ pastelaria. Estou a gostar muito da experiência de aprender mais sobre o assunto e de pôr em prática a minha imaginação através dos alimentos.

CR – A cozinha é o seu lugar feliz?

– Sem dúvida que sim. Para mim, a cozinha é o meu refúgio! Quando entro nela esqueço todos os meus problemas. Dedico-me 100% naquilo que é o meu trabalho, para proporcionar a maior satisfação do cliente.

CR – Apesar de ser ainda muito jovem, já fez vários estágios curriculares, inseridos nas formações que tem feito. Na sua opinião, qual a real importância destas experiências?

– Os estágios são de máxima importância porque permitem-nos abrir novos horizontes, conhecer outras pessoas e formas de trabalhar diferentes, colocar em prática os conhecimentos teóricos e são, sem dúvida, uma oportunidade para acrescentar valor ao nosso currículo, o que facilita bastante a entrada no mercado de trabalho.  

CR – Quais as suas perspetivas de futuro?

– Ainda está tudo em aberto, mas gostava de, um dia, ter a oportunidade de trabalhar em cruzeiros. Esse é um sonho que me acompanha.

CR – O que mais o apaixona no trabalho com os alimentos?

– Essencialmente é o facto de cada alimento poder ser manipulado de diversas formas. Por exemplo, quando eu olho para uma batata, não vejo apenas uma batata, mas sim a infinidade de pratos que posso criar com ela. Isto desperta a nossa criatividade, conhecimentos sobre gastronomia (e não só) e capacidade de concretizar, o que pode ser muito estimulante.

CR – Vive no interior do país. Encara esse facto como uma oportunidade de desenvolvimento pessoal e profissional ou como um entrave ao seu progresso?

– Eu encaro como uma oportunidade de desenvolvimento pessoal e profissional, visto que o interior está a registar cada vez maior procura e já deu provas de que existe muito potencial por explorar.

CR – Quais as suas referências na sua área de estudo/ trabalho?

– É difícil escolher, visto haver muito boas referências em Portugal, mas há um Chefe de Cozinha que, para mim, teve um enorme papel na Restauração em Portugal, e que eu admiro por isso. O seu nome é Lubjomir Stanisic. Para mim, um bom chefe tem de ser primeiramente um bom líder, mas, mais que tudo, tem de ser humilde e estas são características que reconheço neste excelente profissional.

CR – Muito se fala (e cada vez mais) na formação necessária para se trabalhar na indústria do Turismo. Qual a sua visão sobre este tema?

– Acho que a formação é algo indispensável, ainda para mais num mercado tão exigente como o do Turismo. Eu pretendo, num futuro breve, alcançar o nível 5 e ascender assim a cozinheiro de 1ª e, sem formação, isso é impossível.

CR – Na sua opinião, é possível encantar um cliente pela boca?

– Claramente. Mas mais do que isso, os restaurantes precisam de contar as melhores histórias para alimentar as expectativas dos seus clientes. Cada cliente é um serviço. É fundamental saber identificá-lo e interpretá-lo.

CR – Quais os maiores desafios de estudar Turismo e como os ultrapassa?

– Esta é uma área muito competitiva, por isso, podemos até ter a melhor formação, mas, se não nos diferenciarmos, dificilmente nos vamos destacar no mercado. Então, estudar é fundamental e temos que nos dedicar muito para dominar a teoria, mas na hora de colocar “as mãos na massa” é preciso ser criativo, original, genuíno e humilde. Esta união entre o tradicional e a inovação só é possível, de forma competente, com muito empenho, dedicação, paixão e carisma. Só assim é possível diferenciarmo-nos dos outros e marcar pela positiva.

Muito obrigada, Miguel, pela sua colaboração nesta entrevista e pela dedicação diária aos seus estudos. É um prodígio!

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