Só há muito pouco tempo entrei em contacto com o termo “nomadismo digital”. Aconteceu nas minhas pesquisas aqui pelo Linkedin, enquanto buscava histórias inspiradoras e dicas para escrever.

Surgiram os textos da Laís Schulz (que é fantástica) e, inevitavelmente, acabei por encontrar também o perfil do Matheus de Souza (que, para quem não sabe, é o marido da Laís). No espaço dedicado à profissão, o Matheus tem a seguinte designação: “nômade digital que escreve, empreende e ensina”.

Whaaat? O que raio quereria isto dizer?

Claro que fui logo perguntar ao Sr. Google e ele explicou-me que nomadismo digital é, basicamente, o nome dado ao estilo de vida de quem viaja pelo mundo enquanto, em paralelo, trabalha, remotamente, de qualquer parte do planeta.

Não é fantástico?

nomadismo digital

Como profissional de turismo, questionei-me logo como se poderia enquadrar este estilo de vida no setor e qual a relação entre as duas atividades. Poderão os nómadas digitais ser considerados turistas?

É uma questão mais complexa do que parece e, para chegarmos a uma conclusão, teremos que analisar as definições de:

  • Turista: pessoa que se desloca para um destino diferente da sua residência habitual por motivos de lazer, negócios ou outros, por um período superior a 24h e inferior a um ano consecutivo;
  • Excursionista: visitante temporário que permanece menos de 24h no local visitado;
  • Visitante: toda a pessoa que se desloca a um local, diferente daquele onde tem a sua residência habitual, desde que não exerça qualquer atividade remunerada no destino;
  • Nómada digital: pessoa que adota um estilo de vida de deslocação constante, entre países ou regiõesdesenvolvendo a sua atividade profissional em simultâneo, independentemente da sua localização física.

Assim, embora tenha analisado pontos de vista diferentes enquanto pesquisei para escrever acerca deste assunto, a minha análise técnica é a seguinte:

tendo em consideração que a Laís e o Matheus têm a sua residência fiscal no Brasil, enquanto trabalham são considerados turistas

se

permanecerem num local mais do que 24h

e se

a remuneração pelos trabalhos desempenhados não se fizer no local de visita.

Posto isto, é uma resposta sujeita a interpretações e variáveis diversas, contudo, grosso modo, considero que o nómada digital é, em simultâneo, um turista.

Estando o nomadismo digital a ganhar cada vez mais adeptos, arrisco afirmar que constitui já uma fatia considerável dos turistas mundiais. Mais do que uma forma de estar, o nomadismo digital é uma tendência e, até, um nicho de mercado com muito potencial e ao qual os profissionais do turismo devem estar atentos. Jamais poderão ser enquadrados no grupo M.I.C.E (Meetings – Encontros; Incentives – Incentivos; Conferences – Conferências e Exhibitions – Feiras) por terem características e necessidades muito diferentes e mais específicas.

E você, já conhecia o nomadismo digital? O que achou deste conceito?

Conte-me tudo, vou gostar de saber!

—– Artigo originalmente publicado no Linkedin. —–

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