Sim, eu sei que o título deste artigo é, no mínimo, audaz! Mas também o Turismo o é.

Quem estuda, trabalha ou sabe alguma coisa sobre Turismo, aceita a sua vulnerabilidade com alguma naturalidade. Este é um dos grandes desafios quando entramos nesta área, mas rapidamente percebemos que ou ganhamos uma grande capacidade de adaptação ou não temos lugar aqui.

O Turismo não é uma indústria melhor ou pior do que qualquer outra. Apenas tem as suas características gerais e específicas e há que saber lidar com elas. Simples assim. Lutar contra elas, resistir-lhes ou simplesmente desistir não vai fazer com que o Turismo se torne o “mar de rosas” que muitos pintam, por puro desconhecimento ou desdém.

É preciso perceber que o Turismo tem origens milenares, mas só há relativamente pouco tempo (no que à história diz respeito) se tornou uma atividade económica e organizada. Nos últimos anos, tem sido alvo de muita atenção, especialmente como estratégia de recuperação económica de muitos destinos espalhados pelo mundo inteiro, tendo-se tornado um verdadeiro fenómeno. A mobilidade, a acessibilidade, o capitalismo, a globalização, o aumento da esperança média de vida e tantos outros fatores assim o permitiram.

Isto quer dizer que é a primeira vez, na história da humanidade, que o Turismo se faz como se faz. Nunca se viajou tanto, tão barato e tão facilmente! Portanto, está ainda muito por aprender. Não nos deixemos levar, todavia, por fantasias ideológicas, que nos querem fazer acreditar que nada estava previsto, que ninguém nunca foi alertado acerca dos problemas associados ao Turismo, ou que a maioria das dificuldades são inevitáveis. Isso não é verdade! A literatura mostra-nos que o Turismo tem vindo a ser amplamente estudado, a academia acompanha as necessidades do setor e procura respostas. Algumas são aproveitadas. Outras, pura e simplesmente, ignoradas. Mas é preciso mais. Mais estudo, mais formação, mais estratégia, mais união, mais investimento, mais foco no desenvolvimento, mais espírito de excelência, profissionalismo, rigor e qualidade.     

Claro que uma pandemia supera qualquer filme de ficção. Nunca nenhum de nós pensou em viver isto, mas, mais uma vez, não foi por falta de aviso. Este tipo de situação era expectável e parece que vai ser cada vez mais comum a partir de agora… e só ouço vozes que indicam querer voltar “ao normal”. Pergunto-me quando vão perceber que nunca mais nada será como antes e ou encaram esta situação como uma oportunidade de aprendizagem para o que o futuro nos traz, ou este choque brutal de nada terá servido: acabarão por “morrer na praia” mais cedo ou mais tarde.

Seria útil que as empresas e os empreendedores olhassem, finalmente, para dentro das suas organizações; não é por acaso que os que ainda subsistem são aqueles que indicam ter uma equipa coesa e o apoio dos seus colaboradores. Seria vantajoso que pudessem criar, finalmente, uma estratégia de atuação; a gestão das empresas não se pode delegar, é preciso autorresponsabilidade, conhecimento, liderança, culturas empresariais harmoniosas e inabaláveis. Seria interessante que os profissionais mais antigos (a quem as novas gerações tanto devem por terem desbravado caminho e cuja experiência e conhecimentos muito têm que ser valorizados), abrissem, finalmente, a sua mente às possibilidades, à criatividade, à inovação, à cooperação, à reciprocidade no processo ensino-aprendizagem. Seria necessário que as empresas encontrassem forma de, finalmente, valorizar a importância da investigação no Turismo, até porque esta existe, exatamente, para satisfazer as necessidades do mundo empresarial; e que a própria academia descesse do seu pedestal para perceber melhor as “dores” de quem vive, diariamente, o Turismo no terreno. Seria urgente que valores como a sustentabilidade guiassem, finamente, esta indústria, em detrimento das questões económicas, como até aqui. Seria importante que se valorizasse, finalmente, a formação das pessoas que, apaixonadas por esta área, muito mais valem do que os seus míseros ordenados; aliás, seria extremamente benéfico que os deixassem tão-somente trabalhar: errar, aprender, melhorar e contribuir para um Turismo com mais e mais qualidade. Seria justo que se acabassem, finalmente, com as economias paralelas, motivo pelo qual muitos, neste momento, não conseguem qualquer apoio financeiro e ainda se lamentam. Seria natural que, finalmente, se apostasse no desenvolvimento e não apenas no crescimento, porque não, eles não são, necessariamente, sinónimos. Seria relevante que se apostasse, finalmente, no conceito de educação turística nos destinos, onde todos, absolutamente todos, percebessem a importância desta indústria, contribuíssem e se envolvessem no processo, já que cada um tem o seu papel e a sua relevância – turista, comunidade acolhedora, empresas, academia, setor público e o meio ambiente.

Se uma pandemia não servir para ver isto tudo, não sei o que servirá. Se algo não mudar com uma pandemia, não sei com o que mudará.

Mas não se iluda caro leitor. É certo que este tipo de mentalidade tem que ser incorporada por todos os envolvidos e cada um de nós pode fazer a diferença. Ainda assim, a força maior reside nas políticas públicas. São estas que ditam as regras. Se não tiverem os nossos governantes nacionais, europeus e mundiais a capacidade de pensar estrategicamente, voltaremos à mesmice, remando sem parar e sem sair do lugar. Veremos o que nos esperam os próximos anos: se uma prosperidade ilusória sem qualquer aprendizagem, se estratégia baseada na melhoria contínua.

Tenho para mim que já sei a resposta.

Força, foco e fé, é o que todos precisamos! Seja como for, permanecerei fiel à minha paixão e a lutar todos os dias para cumprir a minha missão de tornar o Turismo mais Humanizado.

Vem comigo?                  

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