Todas as profissões têm os seus aspetos mais interessantes e mais desafiantes. A área da formação profissional não é exceção e pensei em falar um pouco acerca do que mais nos azucrina no dia-a-dia. Mas… como não me queria focar apenas na minha perspetiva, fui perguntar a outros 4 colegas de profissão quais as suas opiniões.  

Assim, para a Karla Martins, perita em Linkedin, “O maior desafio que enfrento enquanto formadora profissional é quando encontro grupos muito heterogéneos de pessoas. Por um lado tenho pessoas com nenhum conhecimento sobre Linkedin e, por outro, estão, na mesma sala, pessoas num estágio mais avançado. É difícil gerir as expectativas neste contexto. Quando são formações de minha iniciativa, coloco pré-requisitos, mas quando sou convidada por alguma instituição, por vezes me deparo com este panorama. Aí tenho que lidar com as diferenças de nível em um mesmo grupo.

O Fábio Graça, especialista em Restauração, contou-me: “A meu ver, o principal desafio que abraço todos os dias, para além de formar crianças e adultos a nível tecnológico, é formá-los a nível pessoal.  As vertentes técnicas são capazes de ser adquiridas com relativa facilidade através do tempo, mas o que irá diferenciar um bom de um mau profissional é a sua parte psicológica; isto ganha uma especial atenção numa área que envolve uma pressão inerente e constante como é a restauração. Assim sendo, o meu principal desafio é transformar meninos (as) não em homens/ mulheres, mas em senhores (as).

Falei também com a Márcia P’erëira, Ergonomista, que me disse: “O maior desafio é conseguir aliar profissionalismo, qualidade, prazer e dedicação com ofertas de valores/ hora tão baixos (9 euros eu já recebi de oferta!!!). A desvalorização do formador, a meu ver, começa quando, a despeito da qualidade das formações, este não é escolhido/ contratado pela sua competência, eficiência e dom de ensinar, mas sim pelo valor que ele aceita receber. A banalização é tanta que, obviamente, o que menos importa neste cenário é a qualidade da formação e os propósitos da mesma.

O António Pedro Santos, Fotógrafo Profissional, partilhou comigo que “Ser formador é uma aventura constante, um carrossel de emoções e desafios. Há muitos anos tive um professor que nos dizia a todos ‘não vos posso ensinar tudo o que sei, caso contrário ficam a saber tanto quanto eu’. Dizia aquilo genuinamente e levava à letra o seu princípio. Eu penso exatamente de maneira diferente. Tento partilhar todos os meus conhecimentos com os meus formandos, para que no futuro sejam muito melhores que eu. O maior desafio é mudar-lhes o chip e fazê-los interpretar a realidade de uma forma completamente diferente. Passar de conceitos gastos e ultrapassados para uma vertente original e criativa. Essa é a palavra-chave das minhas formações: ‘criatividade’. Só assim se destacarão no mercado de trabalho, com uma visão pessoal e única do que nos rodeia. Claro que já tudo foi feito; o que nos resta a todos é fazer à nossa maneira, com talento…e criatividade.

Finalmente, na minha perspetiva, o maior desafio com o qual um formador tem que lidar está relacionado com a motivação dos formandos. Quando trabalhamos com grupos altamente motivados, as sessões de formação fluem, há uma interação muito natural e sentimos que o nosso trabalho faz sentido, há um propósito, há um “dar e receber”. É mesmo muito gratificante. No entanto, nem sempre os grupos são assim. Pessoalmente, tenho lidado, maioritariamente, com grupos imaturos, desfavorecidos e que nem sempre fazem as suas escolhas em plena consciência. Neste contexto, o que acontece é que, em 99% das vezes, sentimos que só damos e que, por muito que dêmos, nunca é suficiente. Há que ser muito criativo e, por vezes, alternativo; altruísta; completamente apaixonado pelo que se faz; ter uma capacidade de auto-motivação muito grande; e sentir que o que se faz, faz a diferença para as pessoas com quem trabalhamos, caso contrário deixa de haver propósito e a desmotivação instala-se.

Mas, se está a pensar ser formador, não desanime com estes testemunhos. São apenas alguns aspetos com os quais temos que lidar. Desafios. Tornam-nos mais fortes, melhores profissionais e seres humanos mais Humanos.  

Avance, arrisque e transmita aos outros o que sabe. Acredito mesmo que através da educação e do espírito de partilha todos podemos ser mais e melhor.

E você, acredita?

Qual o seu maior medo quando pensa em tornar-se formador, dar uma palestra, transmitir o que sabe?

E para si que é formador, qual o seu maior desafio? Conte-nos tudo, vou gostar de saber!

Partilhar é cuidar!

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