O mar e as paisagens paradisíacas do nosso país são dos elementos mais elogiados e desejados por turistas nacionais e estrangeiros. Se explorar com quem mais sabe e melhor conhece os recantos do nosso cantinho à beira mar plantado vai descobrir autênticos cenários de filmes de Hollywood.

Hoje dou-vos a conhecer uma dessas pessoas. Ela é a Patrícia Raimundo, licenciada em Desporto de Natureza e Turismo Ativo, pela Escola Superior de Desporto de Rio Maior e Mestre em Ensino da Educação Física pela Faculdade de Motricidade Humana. O seu percurso profissional tem sido mais direcionado para o ensino, mas recentemente decidiu criar o projeto “O AVÔ JÁ VAI”, uma embarcação turística na qual é mestre e guia marítimo-turística.

Fui saber um pouco mais sobre estas funções, esta profissional e o seu percurso:

CR – A tua formação tem uma variante de Turismo, mas sei que a tua paixão sempre foi o desporto. Como se deu esta história?

PR – A minha formação em Desporto de Natureza e Turismo Ativo permitiu-me uma visão mais abrangente do desporto do que a que tinha até então. Percebi que o que realmente me atrai no desporto são as ferramentas que desenvolvemos ao conhecer melhor o nosso corpo e os nossos limites e de que forma as podemos utilizar para desfrutar de experiências marcantes. Isso criou em mim o desejo de trabalhar com diferentes pessoas e em diferentes áreas do desporto.

CR – A recente criação da tua empresa marítimo-turística tem apenas a ver com a vontade de criares o teu próprio negócio ou houve algum chamamento para o mundo do Turismo?

PR – Por enquanto ainda é apenas um negócio particular em formação. Oiço muitas vezes “Faz o que gostas e não terás que trabalhar um dia da tua vida” e este sempre foi o meu objetivo: ensinar e partilhar os meus conhecimentos, o que é muito fácil quando se faz o que se gosta. Trabalhar em turismo permite-me chegar a uma maior variedade de pessoas, o que torna o desafio interessante todos os dias.

CR – Quais os maiores desafios com que tiveste que lidar para conseguir ter esta empresa “de pé”?

PR – A verdade é que não tive muitas dificuldades. O meu pai é pescador profissional e trabalhar no mar e com barcos sempre fez parte dos meus planos. Só tinha que descobrir a forma de enquadrar tudo. As burocracias acabam por se resolver e ter carta de patrão local foi para mim como ter a carta de automóvel, ambas essenciais.

Não foi fornecido texto alternativo para esta imagem

CR – Explica-nos um pouco do teu dia-a-dia.

PR – Este é o nosso ano 0 por isso o maior trabalho tem sido ao nível da pesquisa de mercado e divulgação, ou seja, perceber o que se passa neste meio para tentar marcar a diferença e divulgar a nossa atividade para conseguir atrair clientes. Isto é um trabalho diário e sou eu que trato todos os conteúdos que divulgamos. Depois vem a parte divertida – lidar com as pessoas e mostrar-lhes as maravilhas que a natureza esconde.

CR – Qual a parte mais gratificante de levar as pessoas a passear de barco?

PR – Sem dúvida observar o comportamento humano. Ver como as pessoas reagem ao nosso serviço e às experiências que estamos a proporcionar. Claro que também gosto sempre de saber mais sobre quem nos visita. Na partilha de experiências e vivências existem sempre aprendizagens a reter e esta partilha torna os nossos passeios muito mais acolhedores e marcantes, porque permite criar uma ligação com os nossos clientes.

Não foi fornecido texto alternativo para esta imagem

CR – O que é que pretendes proporcionar aos teus clientes?

PR – O que pretendo é que os nossos clientes usufruam de uma experiência que de alguma forma os marque e que fiquem com vontade de voltar. Para isso, cada passeio tem que ser único. Tentamos conhecer as pessoas que nos procuram, para que seja uma experiência entre amigos e não apenas mais uma viagem.

CR – Qual a importância das línguas estrangeiras no desempenho das tuas funções?

PR – Sesimbra tem-se tornado um destino turístico cada vez mais atrativo e isso implica saber acolher diferentes culturas e línguas. Como tal, é essencial saber comunicar além da nossa língua materna, especialmente se queremos proporcionar um serviço de qualidade.

CR – Embora Portugal seja um país com um clima excelente, a verdade é que esta área é sempre muito sazonal. Como pretendes combater esta problemática?

PR – Além de estar a desenvolver esta atividade no âmbito do turismo, mantenho as minhas funções no mundo do desporto enquanto professora/ instrutora/ treinadora que se desenvolvem no período letivo, por isso acabam por se complementar. No entanto, pretendo que “O AVÔ” continue ativo na maior parte do ano. Para isso existem atividades como a pesca desportiva, que pretendo explorar, e, como referiste, em Portugal o clima é bastante agradável uma grande parte do ano, pelo que os passeios e a observação de golfinhos são sempre procurados.

Não foi fornecido texto alternativo para esta imagem

CR – Escolheste a costa de Sesimbra apenas para iniciar ou pretendes expandir para outros locais mais longínquos?

PR – Escolhi Sesimbra por vários motivos. É a minha zona de residência e uma zona que conheço, diria até que tenho algumas informações privilegiadas devido ao contacto com o mundo da pesca. Mas também porque a costa sesimbrense é extraordinária e tem muito para se explorar. Não se trata de fazer sempre o mesmo passeio e mostrar sempre a mesma praia. A variedade de atividades que se pode fazer é grande e permite corresponder às necessidades da procura de vários nichos de mercado, o que me atrai imenso. E claro, divulgar o meu concelho e ajudá-lo a crescer de um ponto de vista comercial é algo que me enche de orgulho. Por enquanto, acho que vou ficar por cá.

CR – Muito se fala (e cada vez mais) na formação necessária para se trabalhar na indústria do Turismo. Qual a tua visão sobre este tema?

PR – A formação, seja em que área for, é sempre essencial e deve ser contínua. Todos os dias se desenvolvem ferramentas novas que permitem melhorar a nossa atividade e crescer enquanto profissionais e penso que todos devemos caminhar nesse sentido. No meu caso específico, tenho sentido algumas dificuldades ao nível do marketing e em vender o meu serviço, sendo essa uma área que gostaria de explorar mais, mas existem sempre outras.

Muito obrigada, Patrícia, pela tua colaboração nesta entrevista e pela dedicação diária à tua profissão. És promissora!

*****

Se é um profissional de turismo e gostaria de ser entrevistado no âmbito da rubrica “Os Incógnitos do Turismo de Portugal” entre em contacto comigo, vou gostar de o conhecer!

Partilhar é cuidar!

shares
Não copie o texto!