O maracujá de São Miguel foi introduzido na ilha dos Açores na época dos Descobrimentos?

Como uma grande parte dos produtos nacionais mais exóticos, o maracujá de São Miguel não surgiu espontaneamente em terras lusas. Apesar de não haver provas concretas, crê-se que tenha sido trazido no tempo das descobertas marítimas. A partir do século XVIII, já existem evidências claras da sua presença na ilha e, hoje, já nasce naturalmente nestes solos.

Durante séculos, foi singelamente consumido pelos locais, até que, nos anos 40 do século XX, Ezequiel Moreira da Silva reconheceu o potencial deste delicioso fruto. Começou a produzi-lo em larga escala e iniciou a exportação com fins mais comerciais. Esta ação veio não só dar a conhecer o fruto a mais pessoas, como trazer-lhe um reconhecimento muito merecido.

Trata-se de um produto de Denominação de Origem Protegida (DOP) da ilha de São Miguel, nos Açores. A espécie é a Passiflora edulis Sims, da família das Passifloráceas. Tem um formato oval, um diâmetro de 5 a 6 cm, uma textura semelhante ao couro, umas vezes lisa e brilhante, outras vezes meio rugosa e baça. A sua cor é arroxeada e uniforme. No seu interior, possui pequenas sementes pretas, ovais e achatadas, envolvidas numa película viscosa, mas saborosa. A polpa é amarelada, sumarenta e acidificada.  O seu cheiro é doce, intenso e perfumado. Advém de uma planta trepadeira. A sua colheira é feita de dezembro a março e de julho a outubro, sendo as suas plantas renovadas de três em três anos.

O maracujá dos Açores pode ser consumido fresco, cortando-o ao meio e retirando as sementes com o auxílio de uma colher ou uma faca. Além disso, serve de base a uma série de doces regionais. Auxilia, também, na produção de xaropes, sumos e do típico Licor de Maracujá. É usado, ainda, para condimentar alguns pratos de carne ou peixe.   

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