A rainha D. Amélia foi a última rainha consorte de Portugal?

Era filha de Luís Filipe, neto do rei de França, Luís Filipe I. A princesa nasceu em 1865 e passou parte da sua infância em Inglaterra, partindo, mais tarde, para França. A família tentou uni-la à Áustria e a Espanha, sem sucesso, pelo que o casamento se fez com D. Carlos I, Duque de Bragança e futuro rei de Portugal.

O enlace deu-se em 1886 e diz-se que o casal se apaixonou, mantendo uma relação de respeito e harmonia. Tiveram três filhos – Luis Filipe, Manuel II de Portugal e Maria Ana, sendo que a menina acabou por falecer à nascença.

É em 1889, com a morte do sogro, que D. Amélia se torna rainha de Portugal. Era uma mulher alta e elegante, culta e viajada. Gostava de ler, pintar, assistir a espetáculos de teatro e ópera. Tinha espírito crítico e envolvia-se com os assuntos do estado. Interessava-se pelas problemáticas da época e teve uma atuação importante em matérias como a pobreza e a tuberculose. Fundou dispensários, sanatórios, lactários populares, cozinhas económicas e creches, mas as suas obras de destaque são o Instituto de Socorros a Náufragos, o Museu dos Coches Reais, o Instituto Pasteur em Portugal e a Assistência Nacional aos Tuberculosos. A presença em Portugal das flores apelidadas de “azedas” é-lhe atribuída, pois consta que as mandou vir da África do Sul para o seu jardim em Lisboa, já que gostava muito delas.

A 1 de fevereiro de 1908, D. Carlos I e o príncipe herdeiro, D. Luís Filipe, são assassinados no Terreiro do Paço, na presença da rainha, que demonstrou a sua bravura defendendo a família real como pôde, neste caso, com um ramo de flores. Apesar de forte e determinada, D. Amélia nunca mais se recuperou totalmente desta fatalidade, mas esteve sempre ao lado do novo rei, D. Manuel II de Portugal. Apoiou-o incondicionalmente, mas, ainda assim, a Monarquia acabou por cair em 1910.

Exilou-se em Inglaterra e partiu, mais tarde, para França. Em 1932 perdeu o seu último filho, mas nunca baixou os braços. Com o desenrolar da Segunda Guerra Mundial, D. Amélia continuou a dedicar-se aos desvalidos da sociedade e juntou-se à Cruz Vermelha. Apesar da sua bondade, a sua casa em frança foi invadida pelas tropas alemãs. Nesta ocasião, foi convidada por Salazar, chefe de governo de Portugal, à época, para regressar ao país, mas recusou. O governante insistiu em receber D. Amélia pelo que, em 1945, regressou a Lisboa para uma visita envolta em tristeza e amargura. Pede a Salazar que lhe permita descansar perto do seu marido e dos seus filhos quando a sua hora chegar, ao que ele prontamente acede.

Foi no dia 25 de Outubro de 1951 que deixou este mundo, aos 86 anos, devido a um problema renal. O seu corpo foi transladado de Versalhes para o Panteão Real da Dinastia de Bragança, no Mosteiro de São Vicente de Fora, em Lisboa, tal como era a sua vontade. Salazar proporcionou-lhe um funeral com honras de estado e o povo saiu à rua para aclamar a sua última rainha.  

Fonte da imagem: https://bit.ly/3cdgnFJ

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