Os tempos que vivemos são absolutamente excecionais, em especial para quem trabalha em Turismo. Quem não tem tido a capacidade de trabalhar a sua marca pessoal e gerir a sua carreira, tem, hoje, maiores dificuldades em conseguir um rendimento e satisfação profissional. Por tudo isto e muito mais, desafiei o Daniel de Almeida, especialista em Recursos Humanos, para nos falar um pouco sobre a importância e os principais aspetos a ter em consideração na gestão da sua carreira.

CR – Daniel, a maioria das pessoas nunca pensou na gestão da sua carreira porque achava que bastava procurar trabalho e dar o seu melhor. Algumas empresas têm planos de carreira, mas são a minoria. A quem cabe, afinal, a gestão de carreira?

DA – Ao longo dos últimos anos o aviso tinha sido dado: a gestão de carreira deve ser feita por cada pessoa individualmente! Na verdade, a maioria das organizações colocaram-se de parte nesta equação, mas aí aconteceu o pior: as pessoas também não quiseram saber.

CR – O que é lamentável, porque, a dado momento, umas mais do que outras, vão sentir-se completamente perdidas… o que podem e devem fazer, então?  

DA – Na minha ótica, existem três pontos que são completamente fulcrais e que estão ao alcance de cada um, nomeadamente:

  1. Expandir o leque de competências

Para se ser bem-sucedido numa área, obviamente, é fundamental uma boa dose de especialização. Só dessa forma seremos capazes de entender as particularidades de cada trabalho, de cada processo e contribuir para a sua melhoria no dia-a-dia. Contudo, limitar o nosso conhecimento a essa área de especialização torna-nos um alvo demasiado fácil para situações de crise. Se a área em que investimos todo o nosso tempo e, simultaneamente, todo o nosso conhecimento forem afetados, invariavelmente, seremos afetados também. O objetivo não é tornarmo-nos um “canivete suíço”, mas sim evoluir e alargar o nosso arsenal de ferramentas e, dessa forma, estarmos um passo à frente dos nossos “concorrentes”, que não são mais que todas as pessoas que trabalham na mesma área que nós! Essas competências, que devemos desenvolver, terão ainda mais influência se tiverem um papel híbrido, ou seja, por um lado são um complemento à nossa função/ área atual, mas por outro permitem abrir novas fronteiras caso tudo dê errado.

2. Deixar de estar nas sombras

Um dos maiores problemas que encontro nos meus clientes não é a falta de competências ou de resultados ao longo das suas carreiras, mas sim a falta de visibilidade! A grande maioria das pessoas tem perfis extremamente ricos e que facilmente gerariam valor acrescentado para o mercado, mas falta-lhes uma enorme peça do puzzle: o mercado não sabe da sua existência! Ser bom no que fazemos é muito importante, contudo se ninguém o souber de pouco vale. Não devemos esquecer o velho ditado: “Quem não é visto não é lembrado”. É fundamental que, ao longo da nossa carreira, exista esta preocupação de trabalhar a nossa notoriedade. Ao ter este cuidado, garantimos que vamos trabalhar a nossa rede de contactos e o nosso posicionamento. E isto é extremamente importante, porque são dois conceitos que apenas podem ser trabalhados, com sucesso, numa ótica de longo prazo. E é aqui que muitos falham: apenas se lembram de “aparecer” quando estão numa situação de desemprego! Se existir este trabalho de criação e manutenção de relações, de interajuda com as pessoas que conhecemos e, simultaneamente, mostrar ao mercado quem somos e como geramos valor, aos poucos vamos criar os pergaminhos da nossa notoriedade.

3. Não depender apenas do salário

A grande generalidade das pessoas considera o empreendedorismo arriscado, mas haverá algo mais arriscado do que depender apenas de uma fonte de rendimento? Haverá algo mais arriscado que depender de apenas um salário? Para uma empresa é extremamente arriscado depender apenas de um pequeno número de clientes, muito mais então se depender apenas de um cliente. É, como se costuma dizer: “colocar todos os ovos na mesma cesta”. Mas, infelizmente, a grande maioria dos trabalhadores por conta de outrem, está precisamente nesse cenário: fortemente alavancado e dependente de uma única fonte de renda: o salário. Obviamente que fica impossível ter mais que um emprego (se for a full-time) e poucos têm conhecimento e liquidez para investir, mas já pensou que talvez seja possível criar rendimentos sobre os seus hobbies? A segunda fonte de renda não precisa de estar diretamente ligada a conhecimentos técnicos ou à sua área de atuação, o importante é que ela exista, por mais pequena que seja! É a garantia de que, mesmo numa situação extrema, terá algum fluxo de entrada de rendimento.

CR – Daniel, estas dicas são preciosas e já permitem, a qualquer um, começar. Obrigada pelas orientações. Depois disto há que evoluir e encontrar o caminho que mais fizer sentido para cada um, mas nunca descurar da gestão da sua carreira, nunca a delegar para outros é a lição principal!   

E é isto. Espero que a informação lhe seja útil para começar a gerir a sua carreira agora!

E você, já faz a gestão da sua carreira?

Conte-me tudo, vou gostar de saber!

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