Com o estado de emergência, declarado em virtude da pandemia Covid- 19, muitas pessoas foram, literalmente, obrigadas a parar. O estado de isolamento obrigou a que nos recolhêssemos em nossas casas e só saíssemos para situações de pura necessidade. A maior parte das pessoas estaria agora a trabalhar em casa ou com a sua atividade profissional suspensa.

Embora não tivesse sido uma situação fácil de gerir e algumas pessoas tivessem ficado sobrecarregadas com as lides domésticas, os filhos para cuidar e as questões profissionais para dar atenção, a verdade é que se ganhou tempo com o facto de deixar de haver deslocações para o trabalho, para as escolas e para os mil e um sítios onde costumávamos ir na nossa vida “normal”.

Algumas pessoas terão aproveitado esta situação para arrumar as ideias, outras não tiveram essa capacidade e está tudo bem. Fiquei especialmente feliz naquela noite em que recebi uma mensagem de uma amiga com quem é difícil pôr a conversa em dia, dadas as vidas atarefadas que sempre temos. Disse-me: “tenho pensado tanto…tinha-me esquecido que era preciso parar para pensar. Andamos sempre tão ocupados que, agora que parei abruptamente, reparei que o cérebro tem esta funcionalidade!”

Obviamente que o meu lado coach adorou esta mensagem e lhe disse que estava feliz por ela ter percebido isso. Conto-lhe esta história para que entenda que, por vezes, sente-se insatisfeito e não sabe porquê, exactamente porque ainda não parou para pensar nisso. Comumente sinto resistência por parte dos meus clientes de coaching relativamente aos resultados do programa que desenvolvemos, porque não estão disponíveis para investir o tempo e o espaço necessários em si próprios. Sei isso porque ouço com regularidade: “… não tive muito tempo para pensar nisso, mas…” ou “… eu queria fazer o que combinámos, mas não tive tempo…”. Resolver as questões que nos apoquentam, implica reflexão, autoanálise, pensamento crítico e introspeção. As pessoas querem mudanças com um estalar de dedos e não percebem que se não tomarem as rédeas da sua vida não há magia que lhes valha. É preciso parar para pensar sim!

Quando estamos no modo “automático” agimos como robôs, com ações que estão gravadas no nosso cérebro e que simplesmente se desenrolam sem que tenhamos que pensar muito nisso. Sabe aquela expressão: “não preciso de conduzir, o carro já sabe o caminho”? Ela é mesmo real. Nem nos lembramos de ter feito o caminho porque estamos com a cabeça cheia de pensamentos que surgem em looping, lixo que se acumula na nossa cabeça, preocupações que exigem soluções rápidas, agendas mirabolantes e um sem número de coisas que, na grande maioria das vezes, não servem para absolutamente nada senão desgastar-nos a mente e o corpo. Isto não é pensar, é ocupar a cabeça!

Assim como é saudável fazer um detox ao corpo, de vez em quando, também será útil fazê-lo com a mente e para isso há apenas uma condição que tem que existir: parar. Pode adotar estratégias como a meditação para ajudar a acalmar a sua mente ou a respiração consciente para ajudá-lo a encontrar a serenidade em momentos de maior tensão, mas é preciso mais do que isso. Há que encontrar espaço e tempo para refletir sobre o momento atual, o estado em que se encontra, o que quer para si e o que pode fazer para conseguir o que pretende, tendo sempre como linha condutora a sua satisfação.

Se não tem esta capacidade ou não dá importância a este tipo de ações, então está a negligenciar a sua vida e não pode culpar as circunstâncias, o patrão, o vizinho, o mundo pela sua insatisfação. Há que assumir a responsabilidade do que se passa na sua vida e começar a “arrumar a casa”.

Compreendo que vivemos numa era em que muito é exigido de nós, a quantidade de tarefas a realizar é imensa, todos estão demasiado ocupados para ajudar, mas o que será útil é estabelecer prioridades, definir um plano e realinhar-se com o que realmente é importante para si. Lembre-se: “querer é poder”. Quer mesmo ser mais feliz e pleno? Se a resposta é sim, então comece a pensar em ações que o poderão ajudar a encontrar algum tempo para refletir. Não há soluções ridículas, é da sua felicidade que se trata, experimente e se não resultar tente outra coisa, insista até encontrar a sua fórmula. Se for preciso marque esse tempo na agenda, assuma o compromisso consigo próprio e seja cumpridor! Com o tempo, a prática vai-se tornando cada vez mais simples de implementar e, quando menos esperar, é um hábito.

Parar para pensar é essencial. Trata-se de definir uma estratégia e cumprir o plano, reajustar e seguir em frente, errar e aprender, seguir mais conhecedor e mais forte, aplicar e praticar. Deixe de tentar seguir o caminho mais fácil e encontrar a solução lá fora, você tem dentro de si tudo o que precisa para ser feliz, basta que invista em si, aprenda a lidar consigo e tenha confiança nas suas ações. Se precisar, peça ajuda, mas desengane-se se acha que há outro caminho para a plenitude. Não há.

 

E você, costuma parar para pensar?

Conte-me tudo, vou gostar de saber!

Partilhar é cuidar!

shares
Não copie o texto!