As motivações da procura turística sempre foram um aspeto muito importante para os estudiosos e os profissionais do setor. Elas são tão diversas que, por vezes, se torna difícil adaptar os produtos e os serviços a oferecer e, por isso, a oferta é, também ela, cada vez mais variada. Não obstante, a possibilidade de construir produtos à medida das necessidades e dos gostos de cada um tem que estar sempre presente. Cada cliente é diferente, é especial e é, exatamente, dessa forma que quer (e deve) sentir-se.

Não se sabe muito bem quando surge o interesse em deslocar-se/ viajar por sexo, mas, a verdade é que existem relatos que remontam à Grécia antiga, tais como “… as flautistas e dançarinas eram chamadas para satisfazer mais do que um homem…” (Ullmann, 2007).

Hoje em dia, destinos como Espanha, Tailândia, Indonésia, Colômbia, República Dominicana, Brasil ou Holanda são sobejamente conhecidos como países onde existe sexo fácil e barato, o que leva, muitas vezes, as pessoas a deslocarem-se com o intuito de o encontrar.

Turismo Sexual é, portanto, uma realidade e não um mito, tanto que a própria Organização Mundial do Turismo tem uma definição para este tipo de turismo desde 1995, a saber: “o turismo sexual refere-se a viagens organizadas dentro ou fora do sector turístico, utilizando os recursos que o turismo oferece para enfim conseguir contatos sexuais dos profissionais desta área, sendo os mesmos residentes do destino onde os que procuram o sexo fácil estão.”

Como todos sabem, o sexo atrai, existe toda uma indústria à sua volta e esta está em constante expansão. Embora muito ainda haja a fazer para abrir as mentes, a verdade é que, aos poucos, se têm conquistado alguns avanços em alguns países, mas essa não é uma realidade transversal ao mundo inteiro. Ainda há muitas mentes retrógradas, ideais baseados inteiramente na pura ignorância e novas indústrias paralelas, que se aproveitam das fragilidades do setor.

Assim sendo, infelizmente, o turismo sexual tem, atuamente, uma conotação muito negativa, porque, normalmente, está associado a:

  • Prostituição;
  • Pedofilia;
  • Proxenetismo;
  • Tráfico de seres humanos;
  • Propagação de doenças venéreas;
  • Violência física;
  • Ofensas verbais e morais;
  • Discriminação;
  • Uso de substâncias aditivas como álcool e/ ou drogas. 

A maior parte das pessoas que trabalham neste ramo não o fazem por vontade própria e, mesmo quando o fazem porque querem, por norma, fazem-no sem condições, sem segurança, sem proteção e sem higiene, o que é lamentável. É claro que existem exceções, como o exemplo dos países onde a prostituição é legal, em que há melhores condições para praticar esta atividade, no entanto, grosso modo, não funciona assim.

Esperemos que estas atividades sejam cada vez mais regulamentadas, supervisionadas e monitorizadas para bem quer da oferta, quer da procura, porque não, elas não vão deixar de existir e, sinceramente, nem acho que devam. Na minha opinião, esta motivação para viajar é tão legítima como outra qualquer e, se há mercado, porque não investir nele?

O que urge, de facto, é criar mais e melhores condições para esta prática e mudar o posicionamento do setor!

E você, já conhecia este tipo de turismo?

O que acha destas práticas?

Conte-me tudo, vou gostar de saber! 

—– Artigo originalmente publicado com o Linkedin. —–

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